O interesse de qualquer pessoa honesta é que gracejos e acusações infundadas sejam rapidamente esclarecidos. Cidadãos corretos não conseguem conviver com a dúvida. E, quanto mais injusta é a imputação, mais celeridade se cobra e mais clareza se disponibiliza pra que a luz ilumine a verdade. Por isso, muito ruim e inadequada é a postura de Flávio Bolsonaro, senador eleito, filho do presidente Jair.

Ambos, pai e filho, foram eleitos com enorme pujança, embalados por uma onda nacionalista que sonha moralizar o Brasil, combater a corrupção e varrer pra sarjeta pública os ladrões do povo. Aí, enquanto o pai se divide entre pilotar o país e reestabelecer a saúde, o filho parece se esforçar pra estragar tudo.

Flávio é alvo de investigações em função de movimentações financeiras suspeitas em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Já tentou mais de uma vez alterar o curso das apurações.

A última investida foi no Supremo Tribunal Federal (STF). A questão foi analisada pelo ministro Marco Aurélio Mello, que negou, na manhã da última sexta-feira, pedido do senador eleito sobre o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz. Ele queria a suspensão das investigações. O parlamentar alega foro privilegiado, já que ele se elegeu senador.

Surpreendentemente, durante o recesso judiciário, outro ministro, Luiz Fux, em plantão, havia acolhido o pedido da defesa de Flávio. A investigação estava interrompida, portanto. A decisão de agora recoloca o processo nos trilhos da primeira instância, de onde não deveria ter saído, pois não há que se falar de prerrogativa de foro, já que os fatos nada têm a ver com o mandato que se inicia.

Às claras

Se Flávio nada deve, não há o que temer. Se ele tem provas de origem lícita e justificativas pra cada um dos depósitos sobre os quais pairam suspeitas, tudo ficará esclarecido e seus detratores morderão a língua.

Não pega bem ficar lutando contra o curso legal das coisas. Tampouco é adequada a postura de verdadeiras torcidas organizadas nas mídias sociais, que reverberam com eloquência discursos de defesa pura e simples, como se tudo fosse mera rivalidade política.

Isso é ruim pro país. Tanto que o próprio presidente, na condição de pai, já deixou claro que faz questão que o filho seja punido, caso se comprovem as acusações. “Se errou, tem que pagar”. Mas, pra isso, a investigação deve ser bem-feita. E Flávio precisa saber que atrapalha o pai, e a nação, toda vez que tenta se esconder.

Bote a cara a tapa, Flávio. Prove sua inocência e siga participando dessa onda de esperança que está embalando o Brasil. Não há mais espaço pra desvios.

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