Vender é preciso

O comércio exterior continuará sendo um instrumento eficaz para garantir parte da saúde financeira do País em 2009, apesar dos insistentes sinais que piscam no horizonte próximo, por conta do agravamento da crise mundial. Contudo, o setor de exportações não esconde a preocupação não só com a queda dos preços das commodities, mas com a redução do volume de produtos básicos e manufaturados embarcados para o estrangeiro. A retração dos mercados é, portanto, uma realidade que este ano terá um peso representativo na balança comercial.

Atenta ao problema, a Agência Brasileira de Promoção de Exportadores e Investimentos (Apex), vai aumentar de R$ 360 milhões gastos em 2008 para R$ 450 milhões no presente exercício, com um incremento de 25%, os investimentos para a promoção dos produtos brasileiros no exterior. A estratégia inicial é reforçar a atuação nos Estados Unidos e China, onde se localizam nossos maiores compradores externos. Mesmo com a crise, o presidente da Apex, Alessandro Teixeira, está convencido das vantagens de investir em promoção do produto brasileiro nos Estados Unidos, tendo em vista o potencial ainda muito elevado do consumidor norte-americano.

O setor exportador de minério de ferro está estimando uma retração das vendas para o exterior entre 15% e 30% em comparação com os números registrados em 2008, pois é fato consumado o corte da demanda por aço em vários países de economia desenvolvida. Há uma expectativa favorável do aumento de vendas para o mercado asiático, muito embora essa expansão não consiga compensar as demais lacunas. A Vale do Rio Doce, que no ano passado exportou US$ 12,73 bilhões, com uma participação equivalente a 6,9% no total exportado pelo País anunciou recentemente um corte de 10% da produção e a demissão de 1,3 mil empregados. Um dos agravantes é a queda esperada de até 15% nos preços do minério de ferro em 2009, fato que traria um impacto ponderável sobre a balança comercial brasileira.

Em primeiro lugar no ranking dos dez maiores exportadores nacionais, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a Petrobras foi responsável por cerca de 10% do total das vendas brasileiras no exterior no ano passado, resultando no faturamento de US$ 17,96 bilhões. O desempenho da estatal de petróleo se deveu em grande medida ao aumento das cotações da commodity, que no mês de junho último alcançou a quantia de US$ 134 por barril. Desde então os preços internacionais sofreram uma queda vertiginosa de quase 70%, tornando-se óbvia para os analistas a conclusão de que haverá um forte baque no resultado financeiro realizado pela empresa no mercado exterior.

A recessão global também deverá influir negativamente sobre a venda de automóveis aos clientes tradicionais do País, embora a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ainda não tenha dados concretos sobre o tamanho da retração. O presidente da entidade, Jackson Schneider, lembrou que a valorização do real poderá ser um reforço para a competitividade do carro brasileiro, mas mesmo assim não arriscou nenhum prognóstico. Também estão pessimistas os exportadores do complexo soja e de carnes congeladas, sobretudo diante da incerteza do que poderá acontecer na China. Com um crescimento médio anual de 9,8%, o referido mercado absorveu quantidades cada vez mais expressivas de soja, mas ninguém garante que isso vá se repetir agora.

Para Alessandro Teixeira, presidente da Apex, entretanto, a situação não é tão drástica quanto supõem os maiores exportadores brasileiros: “Não entendo de onde vêm os cálculos do mercado sobre a queda das exportações”. Diz ele que é perfeitamente possível prever embarques superiores a US$ 200 bilhões em 2009, com uma alta de 3% em relação ao ano passado. Alessandro acrescentou que a Apex pretende realizar no decorrer do ano ações de promoção em cerca de 80 eventos internacionais (feiras, rodadas de negócio e missões empresariais), privilegiando setores prioritários de alimentos, confecções e calçados.

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