“O que você precisa para fechar negócio agora?”. A pergunta é feita por vendedores de apartamentos, carros, bicicletas, refrigeradores, móveis… A semana foi marcada pelo desespero de quem está vendendo produtos no varejo. É hora de “queimar o estoque”, como se diz no jargão popular – quer dizer, acabar com os produtos, vender tudo antes que o estoque encalhe nas lojas e distribuidoras. Não pode sobrar nada, é preciso limpar tudo para que as novas coleções cheguem ao mercado. E, mais, é preciso vender antes que a crise chegue de verdade.
Promoções não faltaram. As incorporadoras de imóveis aumentavam o crédito e o prazo para os apartamentos e casas em condomínios fechados. As concessionárias diminuíram margens de lucro, deram “brindes” e cobraram taxas de juro abaixo do mercado. As lojas promoveram seus tradicionais “saldões” de início de ano, abrindo de madrugada e oferecendo produtos com descontos de mais de 50%.
E os consumidores partiram como malucos às compras. Os prédios foram tomados por interessados. Quem queria comprar um carro novo não perdeu a chance e lotou as lojas. E houve tumultos em todo o País nas portas dos magazines que fizeram promoções. Alguns, para proteger os produtos escolhidos, ficavam abraçados neles – nada de mais, caso o produto não fosse uma geladeira com freezer de quase dois metros de altura.
A loucura dos consumidores aliviou a preocupação do comércio. Apesar da pretensa tranquilidade do governo federal, é certo que a economia sofrerá retração nos próximos meses, e por isso a expectativa é de queda brusca nas vendas. Ainda não se sentiu a crise no varejo por conta dos incentivos oferecidos (aumento do crédito nacional, mudanças nas alíquotas do Imposto de Renda, redução do IPI), mas o aumento do dólar e a desaceleração da economia serão sentidas logo.
Melhor para quem comprou, pois aproveitou os preços e condições mais favoráveis. E melhor para quem vendeu, porque conseguiu atingir objetivos e respirar mais aliviado até o final do temido primeiro trimestre.