Vacas magras

Os dados referentes ao mês de novembro em relação a outubro indicam que houve queda acentuada no ritmo de produção da indústria paulista, conforme o Instituto de Estudos sobre o Desenvolvimento Industrial (Iedi). O percentual de retração será de 6,3%, bastante mais expressivo do que os números anteriormente liberados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrando queda de 1,7% na produção industrial brasileira em outubro e de 0,2% no Estado de São Paulo. A tendência de baixa prenunciada pelos cálculos do Iedi esclarece que novembro será pior que outubro, com base na diminuição generalizada da produção e, em particular, do corte de quase 30% na quantidade de veículos automotivos produzidos no período.

Foram igualmente consideradas a diminuição de 0,8%, em novembro, nas consultas ao serviço de informações sobre abertura de crediários da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), assim como no mês passado o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou queda no consumo de energia de cerca de mil megawatts, na comparação entre outubro e novembro.

O setor automotivo, por sua vez, já demonstra efeitos positivos na retomada da venda de veículos mercê da subtração da alíquota do Imposto sobre Produção Industrial (IPI), medida anunciada pelo governo federal para dar fôlego a esse importante nicho do mercado. Em poucos dias, fontes das montadoras festejaram o aumento de 50% nas vendas de automóveis, tendo em vista que o desconto foi imediatamente repassado aos consumidores conforme preconizava o governo.

Nesse ínterim, um comunicado alentador para o mercado foi emitido pelo economista Luciano Coutinho, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo o qual a instituição conseguiu elencar as fontes de recursos para o orçamento de R$ 110 bilhões que pretende operar no próximo exercício. O ministro Guido Mantega, da Fazenda, havia declarado na semana passada que cerca de R$ 50 bilhões já estavam garantidos para o BNDES. E no início dessa semana, em encontro com empresários do agronegócio em São Paulo, Coutinho acrescentou que a instituição conseguiu fechar o conjunto de fontes necessárias para compor o orçamento do ano que vem, com o aporte dos restantes R$ 60 bilhões.

Dentre as fontes citadas pelo presidente do BNDES estão o Banco Mundial (Bird), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), empréstimos externos, recursos do Tesouro Nacional, resgates de empréstimos a vencer e o fundo de investimentos em infra-estrutura do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), cujo valor do repasse está acertado em R$ 7 bilhões. Em 2009, o BNDES vai redobrar esforços no sentido da formação de novos fundos de investimento em infra-estrutura, privilegiando a atração de capitais estrangeiros a despeito da crise financeira que ainda atemoriza investidores mundo afora.

Coutinho lembrou que além da melhoria que os investimentos previstos vão conferir à infra-estrutura do País, eles servirão para conferir considerável respaldo à manutenção do crescimento da economia em 2009. Um crescimento entre 3,5% e 4% do Produto Interno Bruto (PIB), na concepção do presidente do BNDES, somente será exeqüível com investimentos maciços no setor de infra-estrutura, puxados pela entrada em fase de execução de inúmeros projetos constantes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujos vultosos desembolsos ajudarão a mover a roda de vários setores da economia.

Com a quebra do ritmo de crescimento, a economia brasileira vai sofrer uma diminuição “substancial” em 2009, segundo a expressão usada por Henrique Meirelles, presidente do Banco Central (BC), com base no relatório Focus patrocinado pela entidade. A taxa de crescimento calculada pelos economistas consultados semanalmente pelo BC mantém em 2,5% a expansão do PIB no próximo ano, esperando-se que 2008 apague as luzes com um percentual variando entre 5,24% e 5,59%. A temporada será de vacas magras.

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