PT e PMDB são aliados de primeira hora desde a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. É certo que os peemedebistas não formam exatamente uma base única -há vertentes e vertentes e vertentes dentro do partido, algumas inclusive de oposição ao governo federal. Não seria diferente no Paraná. Mas, no mesmo período, as duas legendas estiveram aliadas no governo estadual. E tudo encaminhava para que, no pleito de 2010, estivessem novamente juntas. Mas depois de tudo que aconteceu nesta semana, esta composição fica seriamente ameaçada.

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Tudo por causa das desastradas declarações do governador Roberto Requião. Em sua apresentação semanal na Escola de Governo, ele resolveu criticar a política econômica do governo Lula, atirando basicamente nos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e Planejamento, Paulo Bernardo, e no presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Como se estes fossem baluartes do neoliberalismo, o mandatário do Palácio das Araucárias lançou seu ódio e disse que o encaminhamento de nossa economia está todo errado.

A resposta foi rápida, e veio da esposa de Paulo Bernardo, a candidata derrotada do PT à prefeitura de Curitiba, Gleisi Hoffmann. A crítica desaforada criou novas zonas de atrito com o PMDB – pelo menos com os aliados do governo estadual. E aí podem ser minados os planos do Palácio do Planalto para a sucessão paranaense.

Por sinal, esta aliança entre PT e PMDB seria a “salvação” do governador, que deve lançar-se candidato a senador. A idéia dos aliados do presidente Lula é formar uma chapa forte para governo e Senado, para evitar que o PSDB vença com o prefeito de Curitiba, Beto Richa. Para isso, já começou a “corte” com o senador Osmar Dias (PDT), favorito do momento para ocupar o lugar de Requião -mas este, no entanto, não pretende se afastar da aliança de oposição no Paraná.

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Restariam petistas e peemedebistas para lutarem juntos em 2010. Mas isto é cada vez mais difícil por conta do temperamento irritadiço do chefe do Executivo paranaense, que está se isolando dia-a-dia. E não é culpa dos outros.