Mal nos indignamos com a morte da pequena Lavínia, de nove anos, e a Polícia Civil do Paraná já confirmou o nome do assassino. Foi mesmo o morador de rua Mariano Torres (mesmo nome de uma importante via no centro de Curitiba) que cometeu o terrível crime no domingo, na periferia da capital. E o relato feito por ele (a cobertura completa está na página 19 deste O Estado) é ainda mais aterrador, transformando a tragédia em uma história rasteira e tristemente ridícula.
Pensar que a vida de uma menina – que, é certo, sofria com as dificuldades financeiras da família, mas era uma criança – possa praticamente ser trocada por pedras de crack chega a dar nojo. Mas foi o que aconteceu.
Tudo começou e terminou na roda-viva do vício. O início está na saída do padrasto de Lavínia, que foi a um bar. Ele é alcoólatra. Rompia-se o primeiro elo na frágil sustentação da jovem – e de sua irmã, que dormia no mesmo quarto (Lavínia virou única vítima de um crime que poderia ser ainda pior, numa espécie de roleta-russa praticada pelo assassino).
O segundo, e mais importante elo, espatifou-se quando a mãe da menina chama Mariano Torres para consumir crack. Não é possível conceber tal possibilidade em uma família, por mais desagregada que ela seja. Fica evidente que não havia, por conta do vício, nenhuma unidade. Mãe e padrasto vivem, infelizmente, em torno do vício em drogas e bebida, isolando as crianças e criando um ambiente típico de pequenas tragédias. Mas, infelizmente, aconteceu uma grande desgraça.
Depois de consumir crack com o morador de rua dentro da própria casa, a mãe de Lavínia saiu para comprar mais drogas, deixando Mariano Torres sozinho com as crianças. Por mais que “permitisse” a entrada dele em outros momentos, a atitude é temerária demais. Era o definitivo ato para a consumação de um crime. E que foi executado com um prosaico cordão de sapato. Nada mais simplório, o que faz transbordar a indignação com a vida perdida de uma criança de apenas nove anos.