Jorge Samek
Fruto da união entre dois países irmãos – Brasil e Paraguai – a Itaipu Binacional completou 31 anos de sua fundação no último dia 17 de maio figurando como a usina hidrelétrica que mais produz energia em todo o mundo e também como a que exibe os melhores indicadores de eficiência no setor elétrico.
Paralelamente, a usina completou 21 anos de geração ininterrupta de energia no dia 5 de maio. De fato, são duas datas marcantes para nós: desde que entrou em operação, Itaipu funciona com a precisão de um relógio suíço.
Somos exemplo de eficiência para outras usinas. As 18 unidades geradoras de Itaipu apresentam um índice de falha, que indica em termos percentuais o tempo que cada máquina fica indisponível para manutenção, de apenas invejáveis 0,05%.
Na média nacional, o índice de falha das demais usinas hidrelétricas, segundo a Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), gira em torno de 0,5%, um percentual 10 vezes maior.
Nos Estados Unidos, de acordo com o US Army Corps of Engineers, o índice de falha das empresas de geração de energia chega a 6%. Já no âmbito do North American Eletric Reliability Council, alcança 4,4%, em média.
Por conta desse baixo índice de falha técnica, poderíamos dizer que Itaipu é a usina que gasta o menor tempo para fazer a manutenção preventiva de suas unidades geradoras e a que registra a maior disponibilidade operativa das máquinas.
Para se ter uma idéia, os ganhos com a eficiência de nossa área técnica nos possibilitam uma economia equivalente à produção de uma usina de médio porte por ano. São 360 MW médios adicionados ao sistema por ano, o que daria para abastecer uma cidade com perto de 1 milhão de habitantes.
No final deste ano, Itaipu terá sua potência instalada aumentada dos atuais 12.600 para 14.000 megawatts (MW). Pretendemos colocar em funcionamento as duas últimas unidades geradoras, em fase final de montagem.
Com as 18 unidades atuais, Itaipu produz uma média de 90 milhões de megawatts-hora (MWh) por ano. Com o aumento da capacidade e em condições favoráveis do Rio Paraná, o que depende de chuvas em níveis normais em toda a bacia, a geração poderá chegar a até 100 milhões de MWh.
Ou seja: teremos condições de superar ainda em 2005 ou no próximo ano nosso próprio recorde mundial de geração, alcançado no ano de 2000, quando a usina produziu 93,4 milhões de megawatts-hora.
Isso porque a usina elétrica de Três Gargantas, erguida sobre o Rio Yang-Tse, o ?Rio amarelo? da China, apesar de contar com potência instalada superior (18.000 megawatts contra 14.000 MW), dificilmente ganhará de Itaipu em capacidade efetiva de produção.
A natureza conspira a nosso favor. A vazão de água do Rio Paraná é mais estável do que a do Rio Yang-tse. Itaipu é beneficiada por ser a última de uma série de usinas instaladas ao longo da bacia do Rio Paraná.
É classificada como uma usina de fio d?água, pois utiliza todo volume que chega ao reservatório, mantendo uma reserva mínima para garantir sua operacionalidade. Além disso, nossa queda d?água é maior do que a de Três Gargantas, o que impulsiona a geração.
Haveremos de ampliar nosso recorde mundial, porque com as novas unidades geradoras teremos 18 máquinas funcionando o tempo todo, enquanto duas permanecem em manutenção. Hoje, 16 máquinas operam simultaneamente, enquanto duas estão sob manutenção periódica.
Responsável pelo fornecimento de 25% da energia elétrica consumida no Brasil e pelo atendimento de 95% da demanda paraguaia, Itaipu completou 31 anos vendendo energia mais barata e ajudando a socorrer os estados do Sul, atingidos pela seca, que fez baixar os reservatórios da região a níveis críticos.
Nossa energia está mais em conta pois nossa tarifa de repasse para o sistema elétrico é fixada em dólar, devido à binacionalidade da empresa.
Com a desvalorização do dólar e a conseqüente valorização do real, hoje, a energia de Itaipu está perto de 35% mais baixa em reais do que em janeiro de 2003, início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 1.º de janeiro de 2003, nossa tarifa de repasse estava fixada em R$ 62,00/kW. Pelo câmbio desta semana, o preço caiu para R$ 46,00/kW.
Esta situação nos impõe dificuldades orçamentárias. Fomos obrigados a fazer cortes da ordem de 25% em nossas despesas de custeio e investimentos para não repassar o custo da apreciação cambial para as distribuidoras e para o consumidor.
Para nós, de Itaipu, produzir energia limpa, de qualidade, com excelência técnica e com responsabilidade socioambiental, tem sido a nossa razão de ser. Porque nosso propósito é bem servir o consumidor brasileiro e paraguaio, tendo, sempre, a eficiência como a força que nos move.
Jorge Samek é diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional.
OBSERVAÇÃO:
A ITAIPU esclarece que, por força de seu estatuto, a presente mensagem não implica a assunção de obrigações em seu nome.