No mês de junho a Lapa comemora seus 230 anos. O município, com 45 mil habitantes e vocação para a agroindústria e o turismo, tem um grande motivo para festejar.
Há muito tempo os lapeanos não tomam conhecimento de um crime violento. Levantamento da Polícia Militar aponta que as ocorrências diárias, em toda a área municipal de 2.045 quilômetros quadrados, não passam de sete pequenos delitos. Um índice baixíssimo diante da realidade brasileira.
Não é o ideal. Ideal seria que a violência não existisse. Mas acreditamos ser possível alcançar uma criminalidade quase zero eliminando a vulnerabilidade social.
O índice de paz social alcançado pela Lapa tem uma explicação: investimento nas crianças e jovens. Com os oito centros de convivência em funcionamento, um itinerante, é possível levar o amparo do poder público aos lapeanos de zero a 18 anos de idade.
A filosofia de trabalho adotada é simples. Envolver o poder público e toda a municipalidade, através de associações e clubes de serviço, no atendimento às necessidades do cidadão em formação. O objetivo dos centros com o contraturno escolar de caráter complementar, orientação profissional, participação em esportes, desenvolvimento cultural e alimentação aos mais carentes (63 mil refeições/mês com o apoio de associações de voluntários), é de fortalecer a cidadania na importante época da formação ética e moral.
A inclusão social e educacional é o objetivo da Lapa, mas nem tudo é fácil.
O município arca, no caso da Lapa, com boa parte do transporte escolar, percorrendo cinco mil quilômetros/dia para evitar a evasão escolar. Investe na alimentação através da padaria municipal, que produz uma tonelada/mês de bolachas, pão e chineque.
Com a concentração da arrecadação de tributos nas mãos dos governos estadual e, principalmente, do federal, a busca por recursos dos programas sociais governamentais deve ser intensa. Programas que só têm sentido se integrados ao que é planejado localmente. Com o planejamento da aplicação social das verbas municipais com os recursos de Curitiba ou de Brasília, é possível otimizar o disponível e ampliar o atendimento.
Planejamento que não deve levar em conta a cor partidária ou o lado ideológico. O que faz bem ao povo não pode ser postergado em favor de posicionamentos. A violência não escolhe lado para atacar quando a vulnerabilidade social existe. Com locais apropriados para ocupar as crianças e os jovens com atividades que dizem respeito às suas vidas, e onde eles possam ver que suas famílias – incluindo os idosos – também têm amparo, e que o poder público está disposto a formar cidadãos, a perspectiva de um melhor amanhã fica assegurada. A atração pela vida fácil, que o crime temporariamente oferece, deixa de existir.
Evidente que só o poder público, mesmo que esteja compromissado e transparente, não resolve tudo no combate à criminalidade. O bom exemplo deve vir de toda a comunidade, que precisa estar consciente de que a responsabilidade é de todos. Comunidade unida em torno de um ideal resolve muito mais que um batalhão de planejadores. Da união comunitária nasce a pressão política, que traz as soluções.
Miguel Batista é prefeito municipal da Lapa.