Hugo Chávez parecia estar se acertando. Depois de tantas patacoadas, ele começou a ter ações e discursos de estadista. Primeiro, teve uma reação admirável no desfecho do seqüestro da ex-senadora colombiana Ingrid Betancourt. Depois, reatou com bom nível as relações com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. O passo seguinte foi um encontro com o rei da Espanha, Juan Carlos II, com quem teve problemas na Cúpula Ibero-Americana.
Estava tudo bem, Chávez tinha “melhorado” mantinha seus preceitos econômicos e políticos, o que é direito dele, mas passara a impressão de ter captado que nem todo mundo precisa ter a mesma opinião que ele, e que era interessante ter um convívio amigável com dirigentes de outras nações. Fazendo isso, sendo um bom governante para os venezuelanos e respeitando a autonomia das outras nações, Hugo Chávez poderia ser um protagonista das relações internacionais.
Mas ele não se emenda, e teve uma recaída perigosa. Foi ao anunciar a nacionalização da operação do banco Santander na Venezuela. Ele queria que o governo comprasse a operação local (ou que um empresário aliado tomasse a iniciativa), mas os espanhóis não aceitaram. “Disseram-me que não queriam vender, mas agora lhes digo que vamos nacionalizá-lo”, afirmou o presidente, em entrevista transmitida por rede de rádio e televisão.
É uma atitude impensada e desastrada. Por que simplesmente nacionalizar um banco? Não podemos mais viver com a tese antiquada que os bancos são os “tentáculos do imperialismo”. Os bancos que mais crescem no planeta são de países em desenvolvimento. Além disso, os governos considerados de esquerda em todo o mundo não permitem que as instituições financeiras fiquem em má situação por um motivo simples: é o dinheiro dos contribuintes que está lá. Foi essa constatação que fez o governo Lula evitar conflitos com o sistema financeiro, deixando a esquerda “albanesa” e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nervosos. Chávez é desta turma, com a diferença que ele manda.