Estamos vendo, nos últimos dias, o surgimento de mulheres que honram a sociedade paranaense. Neste terrível episódio do acidente que envolveu o deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho (PSB) e que matou dois jovens, as mães dos garotos (Vera de Almeida, mãe de Carlos Murilo, e Cristiane Yared, mãe de Gilmar Rafael) e do político (Ana Rita Carli) têm se manifestado de forma clara, correta e brilhante. Saem deste episódio lamentável como verdadeiras heroínas, grandes referenciais para nossa juventude – como todos esperamos que a investigação sobre o acidente e suas causas seja coberta de êxito, respondendo à opinião pública tudo que está ainda obscurecido.

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Praticamente ao mesmo tempo, lamentamos a perda de uma destas mulheres que ajudaram a formar o Paraná que conhecemos. Fani Lerner, primeira-dama do Paraná por oito anos, e de Curitiba por outros doze (portanto, vinte anos de vida pública ao lado do marido, o ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Estado Jaime Lerner), faleceu na madrugada de quinta-feira, deixando duas filhas e quatro netos. Ainda era uma jovem senhora, com 63 anos. Dona Fani é um exemplo de civilidade na, às vezes tensa, política paranaense.

Não se tem notícia de nenhum deslize de dona Fani – o que, é bom ressaltar, é uma virtude das grandes primeiras-damas paranaenses, do passado e do presente. Em respeitosa e serena contrição, ela se dedicou sempre a causas sociais, sem o menor interesse em aparecer como grande “salvadora” dos mais necessitados. Fez isso em Curitiba, fez muito mais quando seu marido esteve no Palácio Iguaçu.

Como lembrou a matéria da repórter Joyce Carvalho na edição de sexta-feira de O Estado: “Fani Lerner comandou as áreas de assistência social nos mandatos do marido na prefeitura de Curitiba e no governo do Estado. Ganhou prêmios internacionais por seu trabalho. Ela ainda criou a Provopar, entidade que tem a finalidade de promover ações sociais em parceria com a administração estadual e a sociedade civil. (…) A primeira-dama de Curitiba e presidente da Fundação de Ação Social (FAS), Fernanda Richa, disse que Fani Lerner abriu as portas e foi uma pioneira nos trabalhos de ação social. Parte da equipe que trabalhou com Fani hoje ajuda Fernanda na FAS. ‘Dona Fani foi uma pessoa fantástica, dedicada à causa. Foi a pessoa que implantou a Provopar e trabalhou para melhorar a qualidade de vida destas pessoas. Deixou programas fantásticos, como o Vale Creche, o Sopão. Mas o essencial: ela trabalhou com o coração. Essa foi a marca dela'”.

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Não se quer, neste momento, avaliar posições políticas e decisões estratégicas desta ou daquela pessoa. Quando se fala em alguma pessoa pública, é quase inevitável agregar à análise um viés ideológico. Mas não é esse o caso. Acima de partidos ou alianças, a lembrança que ficará de Fani Lerner é a da pessoa dedicada aos próximos, aos mais carentes, a quem realmente precisa de ajuda.

Para isso, não é necessário ser de esquerda ou de direita. É preciso ser uma pessoa boa. Estas, encontramos em todas as matizes da política, e todas merecem ser valorizadas em vida, e reconhecidas e lembradas sempre.

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Daí a reação geral da sociedade em lamentar a morte de dona Fani. Mesmo os rivais mais encanecidos de seu marido, como o governador Roberto Requião, recordaram a importância da ex-primeira-dama e manifestaram pesar (o governo estadual, de forma protocolar e correta, decretou luto oficial de três dias). A perda fica ainda mais doída quando vemos uma série de pessoas públicas comprometidas, sofrendo com processos. E enquanto estes maus exemplos campeiam, os referenciais de virtude são esquecidos ou perdidos. Por isso não podemos esquecer de Fani Lerner.