Ivan Schmidt

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Em política não se pode perder oportunidades e, tampouco, a eleição. Aliás, o maior defeito a ser debitado a quem se dispõe a fazer boa figuração na chamada vida pública. Se o cavalo estiver passando encilhado ao político não cabe a menor vacilação, aconselham os que pretendem dominar a sabedoria popular, é montar com rapidez ou arcar com conseqüências indesejáveis logo à frente. Tudo estaria bem se o modelo acima servisse para enquadrar todos os casos, suas origens e circunstâncias. Felizmente não é assim.

O Paraná acompanha nesse momento as marchas e contramarchas do processo sucessório, em que os principais partidos de oposição (PSDB e PFL) procuram ajustar-se à realidade contextual – a carência de um quadro próprio – e definir o senador Osmar Dias (PDT) como seu candidato ao governo do Estado. Um nome fortíssimo, com amplas possibilidades de atrair para seu projeto eleitoral uma respeitável massa de apoios com origem nas classes produtoras, sobretudo na agropecuária, setor ao qual se ligou de forma consistente ao longo do período de sete anos à frente da Secretaria da Agricultura, nos governos Alvaro e Requião.

Na seqüência, desde a primeira eleição para o Senado em 1994, com a renovação do mandato em 2002, esse vínculo ficou ainda mais estreito com o ex-secretário pautando sua atuação em vigorosa defesa das reivindicações do setor, função que sempre realizou com extrema competência dada a sua formação profissional de engenheiro agrônomo e produtor rural, ademais da indução bem-sucedida de um rol de projetos tecnológicos que fizeram a agropecuária paranaense dar um salto de qualidade e se colocar como padrão referencial para vários países do mundo.

A candidatura de Osmar ao governo do Estado já poderia ter acontecido em 2002, quando muitos analistas a tinham como lógica e natural, porquanto Lerner concluía o octaedro e seu irmão Alvaro chegava à metade do mandato de senador conquistado em 1998 a cavaleiro de suposto acordo branco, em que os demais postulantes não dispunham de condições mínimas para obstar sua volta à vida pública, depois de quatro anos de afastamento por ter permanecido no governo até o último dia. Muitos afirmavam que se Osmar fosse o candidato, Requião abriria mão da intenção de disputar o governo pela segunda vez (perdera a primeira para Lerner) e, além de garantir o apoio do PMDB ao colega, disputaria novo mandato de senador.

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Insinuam os arcanos que Alvaro não quis saber de outra conversa senão sua própria candidatura e, embora tenha feito campanha equivocada com o foco no passado (os êxitos de seu governo), sem nenhuma ênfase numa proposta factível de fazer o Paraná avançar para um futuro promissor, venceu o primeiro turno. No segundo, com a adesão maciça do PT e PPS à sua campanha, hoje devidamente expungidos, o vitorioso foi Requião.

Osmar sente os efeitos da fragilidade da legenda do PDT no Estado, ao passo que Alvaro regressou ao PSDB mesmo humilhado pela tentativa de expulsão abortada pelo desligamento prévio. Enquanto isso, a gama de apoios políticos e empresariais prenunciada em 2002 voltou a se aglutinar em torno de Osmar, a ponto de sua candidatura ser considerada irreversível pelos dois partidos que ponteiam a oposição. O contexto favorável sofreu, porém, em sucessão fulminante um impacto repartido em três pontas: o instituto da verticalização que replica nos estados as coligações nacionais, a opção do PDT pela candidatura própria à Presidência da República e a cirurgia vascular que Osmar teve de fazer e que o deixará em recuperação por trinta dias.

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PSDB e PFL anseiam pela resposta breve de Osmar, mas isso depende muito mais da evolução natural do pós-operatório que de circunstanciais variantes nem sempre ditadas pelas inclinações da vontade pura e simples. Uma ala importante do tucanato está em marcha batida para o acampamento de Requião, em troca da vice-governança e da vaga para o Senado, fazendo vistas grossas à constituição de chapa própria. Restam pouquíssimos tempo e espaço para as conversas de bastidores, mesmo porque o debate se faz à luz dos refletores. O prazo para a definição de candidatos e alianças partidárias se esgota em 30 de junho e até agora apenas Requião e Rubens Bueno passam em revista os equipamentos. Gustavo Fruet começa a sentir a palpitação que antecede as grandes decisões, mas deve estar consultando o íntimo de seu coração jovem e guerreiro, convencido de que quem sabe faz a hora.

A essa altura, o galope está mais favorável para o ocupante do terceiro andar do Palácio Iguaçu. Mas, o pingo que cavalga também pode tropeçar…

Ivan Schmidt é jornalista.