O Partido dos Trabalhadores (PT), em pouco mais de duas décadas de existência, cresceu e se tornou igual aos demais partidos que herdaram o espólio do liberalismo conservador defendido pelos três maiores partidos criados com a extinção do Estado Novo, o Partido Social Democrático (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN), e por vias transversas, até mesmo o trabalhismo que teve como maior propugnador o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), liderado primeiro por Getúlio Vargas e depois por Jango Goulart até o golpe militar de 1964.

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Na volta do exílio, o último representante genuíno do trabalhismo, Leonel Brizola, se esforçou para refundar o partido, mas a sigla foi confiada à deputada paulista Ivete Vargas, surgindo então o Partido Democrático Trabalhista (PDT), cuja personalidade atual de maior expressão é o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Socialismo e democracia cristã, movimentos minoritários na política nacional também conseguiram resistir, aferrados a alguns nichos pouco representativos em termos numéricos.

Quando se afirma que o PT cresceu e ficou parecido com os demais parceiros do arco partidário, uma das razões mais convincentes é a estimativa perfeitamente realizável da eleição de pelo menos 500 prefeitos municipais no pleito que se avizinha, alcançando patamar idêntico ao dos demais partidos considerados grandes como o PMDB, PSDB e DEM. É preciso assinalar, no entanto, que os prefeitos petistas vitoriosos em outubro, na maioria dos casos, encabeçaram coligações que visavam reproduzir mesmo nas complicadas circunstâncias locais, aos trancos e barrancos, a aparente harmonia da base de sustentação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em algumas confluências inimagináveis há alguns anos, como a de Belo Horizonte, o PT abriu mão da prerrogativa de indicar o candidato à sucessão do atual prefeito Fernando Pimentel, contentando-se com a vaga de vice. O prefeito resolveu peitar o núcleo de petistas históricos, tais como os ministros Patrus Ananias e Luiz Dulci, criando um contencioso que acabou na executiva nacional do partido, mas fez valer a aliança selada com Aécio Neves objetivando a viabilização da candidatura do ex-secretário estadual Márcio Lacerda, sugerida pelo governador de Minas Gerais. Márcio, completamente desconhecido na política até ocupar uma cadeira no secretariado estadual a convite de Aécio, filiou-se ao PSB somente para cumprir a legislação eleitoral que exige o requisito para o devido registro das chapas.

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Outra característica que aproximou o PT dos rivais é a preocupação manifestada por políticos chegados ao presidente Lula, de assumir o comando total da máquina partidária a partir de 2009, visando remover qualquer espécie de empecilhos que se interponham à preferência assumida por Lula quanto à candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República. Existe uma preocupação velada de que com a provável eleição de Marta Suplicy para a prefeitura paulistana, esta se sentirá plenamente autorizada a disputar a indicação, significando um extraordinário nutriente para o ânimo do grupo partidário que ainda não se conformou com a insistência do presidente.

O estrato partidário fiel a Lula, inclusive, já definiu quem irá substituir o deputado Ricardo Berzoini (SP) no comando da executiva nacional. Trata-se do chefe de gabinete da Presidência da República, o paranaense Gilberto Carvalho, que se tornou militante do PT depois de muitos anos de participação nas comunidades eclesiais de base, um movimento católico de arregimentação popular influenciado pela Teologia da Libertação. Gilberto é um dos poucos quadros do PT a ser distinguido com a confiança absoluta de Lula, a quem o presidente tem repassado o encaminhamento de missões importantes. Fora do governo, mas não da política, Lula terá tempo suficiente para traçar o esquema da volta triunfal em 2014. Disso não duvidam nem as esculturas do adro da catedral de Brasília.

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