Está difícil unir o PT e o PDT no Paraná. As diferenças entre os partidos e seus líderes no Estado deixam o “namoro” entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Osmar Dias bastante complicado. E olha que ambos os lados se esforçam para conseguir aproximar as turmas.
Na edição de ontem de O Estado, a repórter Elizabete Castro conta os últimos passos do balé da sucessão estadual: “Na próxima segunda-feira, dia 3, o senador Osmar Dias tem mais um encontro marcado com o presidente Lula. Vão conversar, entre outros assuntos, sobre as eleições do próximo ano no Paraná. Lula está obstinado em convencer o senador pedetista a ser o candidato ao governo no Paraná em uma aliança formada pelo maior número possível de partidos da sua base aliada. O presidente já discutiu a proposta várias vezes com o senador pedetista que também já esteve com a direção estadual do PT para expor o que pensava sobre a possibilidade de romper com o PSDB”.
Os dois lados têm motivos para se preocupar. De um lado, o PT paranaense (e o nacional também) precisa encontrar um candidato forte para impulsionar a candidatura à presidência da República da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no Estado. O partido não tem um bom nome nem em sua própria fileira – o mais forte, o ministro do Planejamento Paulo Bernardo, não parece interessado em correr riscos e se candidatar. Também não tem em seu aliado natural o PMDB do governador Roberto Requião, pois o vice Orlando Pessuti ainda não emplacou. Osmar surgiu como nome de união entre as ditas “esquerdas”, mas elas não se uniram no nome do senador do PDT.
O pré-candidato ao governo também precisa de palanque. Percebeu que dificilmente terá ao lado do PSDB, que lançará ou o prefeito de Curitiba, Beto Richa, ou o senador Alvaro Dias. Apesar de contar com o apoio do PP e talvez do PPS, Osmar não parece disposto a uma aventura solitária. O PT caiu do céu para ele, mas a aliança não emplaca.
E, no final das contas, o que parecia impossível pode acontecer: de um lado, o PT se aventura com um candidato “outsider”; de outro, Osmar Dias revê seus planos e acaba tentando a reeleição ao Senado.