Más notícias para os servidores públicos estaduais. Depois de verem a possibilidade de receberem reajuste de acordo com a inflação ser destroçada pelo governo Roberto Requião (PMDB), agora eles recebem a informação que não terão, no salário que receberão no dia 30, nem mesmo o aumento de 6%, o autorizado pelo governo estadual e aprovado pela Assembleia Legislativa do Paraná. Segundo a versão oficial, faltou tempo hábil entre a aprovação do projeto e o fechamento da folha de pagamento.
A repórter Elizabete Castro, na edição de ontem de O Estado, resumiu o caso: “A informação não foi confirmada oficialmente, mas o líder do governo na Assembleia Legislativa, Luiz Claudio Romanelli (PMDB), declarou que a secretária da Administração, Maria Marta Lunardon, havia alertado que não haveria tempo de aplicar o percentual sobre os salários deste mês se o projeto fosse aprovado depois do dia 15. (…) Deputados alinhados ao governo creditam a culpa pelo atraso da correção nos salários às bancadas de oposição e do PT, que apresentaram emendas à proposta original do governo, que provocaram o retorno do projeto à Comissão de Constituição e Justiça. (…) Quanto à possibilidade de o governo emitir uma folha de pagamento complementar para pagar a diferença do salário corrigido, o líder disse que não comentaria. ‘O governo é que tem que falar. Eu não sei’, afirmou”.
Em resumo, ninguém quer assumir de fato a responsabilidade sobre o acontecido – que, a rigor, prejudica só quem é assalarido, e não quem recebe vultosos salários ou ocupa cargos em comissão. O governo economiza um bom bocado de dinheiro ao não pagar o mês de maio com reajuste, e certamente o pagamento de junho não terá um adicional, representando o retroativo do aumento não pago. Ótimo para os áulicos e para o mandatário do Palácio das Araucárias, péssimo para quem trabalha (mesmo) para ele e para o Estado, que tem um mês a menos de salário reajustado.
Enquanto isso, no seu estilo “trator”, o deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli não cumpre seu papel de representante do poder central no parlamento. Ele, além de deputado, é a pessoa que defende as teses do governador na Assembleia, o que é natural dentro da estrutura da liderança. Só que em momentos como este, em que se imagina que Romanelli pode ajudar a elucidar uma situação que interessa a toda a população, ele se cala. Haverá folha complementar? “O governo é que tem que falar. Eu não sei”, disse, e vale a pena repetir. Como se ele não soubesse…
Ao agir assim, Romanelli compromete novamente a Assembleia Legislativa – por ser, pelo cargo que ocupa, um dos principais nomes do Legislativo do Paraná. E justamente no dia em que foi aprovado um projeto muito importante, que suspende incentivos fiscais do Estado para empresas que demitirem funcionários. Proposta do deputado estadual Alexandre Curi (PMDB), que recebeu uma emenda interessantíssima dos deputados estaduais Reni Pereira (PSB) e Marcelo Rangel (PPS), concedendo incentivos aos empresários que contratarem funcionários.
É justamente assim que a sociedade espera que a Assembleia se porte. Sendo uma casa de leis, preocupada com o bem público. Com oposição e situação, claro, mas com políticos inteligentes e que tentam encontrar soluções que agradem a maioria no parlamento – e, com isso, agradando a maioria da população. E o incrível é que justamente Luiz Claudio Romanelli é o relator deste projeto de lei. O que mostra a todos que, tanto ele quanto qualquer aliado do governador podem contribuir decisivamente para o desenvolvimento do Paraná. Mas que só consegue isso quando se distancia dos desígnios do mandatário do Palácio das Araucárias, e faz política com serenidade e propósitos.