Um colosso do Paraná

Um resultado retumbante foi anunciado ontem pela direção da Itaipu Binacional. Apenas no ano passado, foram gerados 94.684.781 megawatts/hora (MWh), um recorde no setor – quebrando o da própria usina paranaense, que produziu 93.427.598 MWh em 2000. É um número assustador, principalmente quando se fazem as comparações possíveis.

Desde o anúncio se comenta com surpresa que a energia gerada pela usina hidrelétrica de Itaipu poderia suprir a necessidade de todo o planeta por dois dias. Mas também seria suficiente para atender a Argentina por um ano inteiro, ou o Paraguai por onze anos. E também serviria para atender por um ano 23 regiões metropolitanas de Curitiba.

Assim fica mais fácil entender o colosso da Itaipu Binacional. A obra foi uma das mais criticadas durante a década de 70, mas provou ser fundamental. Concluída e em total funcionamento, a hidrelétrica do Rio Paraná é responsável pelo fornecimento de energia para grande parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além do Paraguai. Sua estrutura é bem montada desde sempre, e não é afetada por decisões políticas de ocasião.

E é justamente por isso (e por ser uma empresa sediada no Paraná) a preocupação com os atuais desvarios do presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Nos últimos tempos, ele não perde chances de criticar o Brasil e clamar por uma revisão no acordo de Itaipu. Em resumo, ele quer mais dinheiro do País sem nada em troca.

Claro que a Itaipu Binacional é importante para nosso país vizinho, é responsável por grande parte do Produto Interno Bruto. Mas os paraguaios não podem esperar que simplesmente caia do céu uma benesse brasileira, ainda mais com o dinheiro e com a energia que é dos brasileiros.

Se a usina hidrelétrica está bem administrada e colhe sucessos nos últimos anos, é por conta do trabalho de anos de vários profissionais. O resultado de 2008 prova isso, e prova que não há razão para realizar qualquer alteração profunda no contrato entre Brasil e Paraguai. Por sinal, o que falta para alguns líderes sul-americanos é razão.

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