Uma das primeiras empresas a apostar em Curitiba como centro de suas operações brasileiras, a Bosch é quase um símbolo da industrialização da capital paranaense. Por isso a surpresa e a tristeza quando recebemos notícias como a anunciada na quinta-feira.
O repórter Hélio Miguel contou a história na edição de ontem de O Estado: “Um saldo de 900 demissões, 3 mil funcionários em licença remunerada e toda a produção parada até o próximo dia 29. Foi como a unidade curitibana da Bosch terminou o dia. Uma forte diminuição na demanda por seus produtos, consequência da crise econômica mundial, foi a principal justificativa para as medidas. Apesar da empresa vir negociando acordos que acabaram não acontecendo com os empregados e o sindicato da categoria desde o início do ano, estes se mostraram surpresos com a situação”.
É um aviso importante para quem acompanha o desenrolar da crise financeira internacional e suas decorrências na economia brasileira. Vivíamos, em tese, um período de recuperação, anunciado inclusive pelos ministros da área econômica. Apesar da queda do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre, o que se diz abertamente é que o “pior já passou”, e que logo viveremos novo “espetáculo do crescimento”, como gosta de dizer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Aí, de uma hora para outra, surge uma péssima notícia como esta das demissões na Bosch (sem contar os três mil funcionários em licença e a fábrica parada por dez dias). É sinal, dos piores, de que ainda não conseguimos vencer a crise, é um choque de realidade.
A retração da indústria de base representa, em última análise, um indicativo de que o vendaval financeiro, que começou em meados de setembro, continua afetando a iniciativa privada – mesmo com as repetidas ações do governo federal para estancar o sangue (ou o dinheiro) derramado. Teremos, pelo jeito, que resistir por mais um tempo, admitindo possíveis novos cortes em empresas e diminuição na produção e no consumo. Que este tempo seja o mais curto possível.