Há cinco dias, manifestou-se neste espaço a preocupação sobre a falta de iniciativa do governo brasileiro nas negociações da reforma do Tratado de Itaipu. No sábado, recebemos notícias não muito agradáveis. O despacho da Agência Estado, que foi destaque na edição de domingo de O Estado, relatou: “Ao final de três dias de negociações, Brasil e Paraguai não chegaram a um acordo sobre a venda da cota da energia paraguaia gerada em Itaipu para o mercado livre brasileiro – um dos principais pontos em discussão, mas houve grande avanço em outros temas discutidos. (…) Em uma declaração intitulada “Construindo uma Nova Etapa nas Relações Bilaterais’, os dois governos chegaram a um consenso sobre seis pontos. O primeiro foi o aumento do valor adicional pago pelo Brasil pela energia paraguaia, que passa de US$ 120 milhões ao ano para US$ 360 milhões”.

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Que beleza, não? Em uma “canetada”, triplicaram a energia paraguaia não a quantidade, mas o preço. E o presidente paraguaio Fernando Lugo conseguiu o que queria, que era ter mais dinheiro fácil vindo do Brasil. A impressão é que vai acontecer exatamente o que o assessor da presidência da República, Marco Antônio Garcia, disse que não ia acontecer: rasgarmos dinheiro.

Por mais que não seja exatamente assim, o que se apresenta para o público leigo é que estamos ajudando o amigo com o nosso dinheiro, sem qualquer chance de receber o “empréstimo” de volta. Facilita-se o trabalho de Lugo, que assim terá a renda necessária para promover os ditos programas sociais que anuncia aos quatro ventos, e que devem servir para que o ex-bispo católico comece a sonhar com a perpetuação no poder – uma espécie de ditadura disfarçada, como seus “chapas” Hugo Chávez (presidente da Venezuela), Rafael Correa (presidente do Equador) e Evo Morales (presidente da Bolívia).

Espera-se, ao menos, que o povo paraguaio seja beneficiado. Fernando Lugo não está se notabilizando, até o momento, pelo auxílio aos mais necessitados. Que os US$ 240 milhões anuais tenham um destino nobre.

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