A seca prolongada está acarretando problemas graves para as populações dos estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além dos impactos inevitáveis sobre a produção agrícola da região, uma das mais representativas no total da safra brasileira de grãos, cereais e fibras. Cerca de 300 municípios já decretaram estado de emergência e distribuem água aos moradores em caminhões-pipa. A situação dramática de alguns provocou a suspensão de atividades básicas como serviços administrativos, aulas e transporte escolar, entre outros. Em regiões mais distantes (Norte e Nordeste) o drama é causado pelo excesso de chuvas.

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Dados coletados pela estrutura de Defesa Civil dos quatro estados confirmam que as precipitações pluviométricas registradas na região, nos últimos seis meses, foram 90% inferiores às médias históricas. O presidente da Associação de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Elir Girardi, reconheceu a dureza da decisão, entretanto necessária para garantir o abastecimento mínimo à população. Por sua vez, o empresário Cláudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas Agrícolas (Simers), do mesmo estado, ajuntou que o efeito da estiagem sobre a lavoura resultou na parada total da venda de máquinas e equipamentos durante o mês de abril.

A lavoura gaúcha sofreu perdas equivalentes a 1,3 milhão de toneladas de milho e 700 mil toneladas de soja, segundo informes do serviço público de assistência técnica e extensão rural. Em termos financeiros, tendo em vista as cotações médias de ambos os produtos, a quebra (que poderá ser maior) significa menos R$ 1 bilhão no faturamento real do setor em 2009. A estimativa final da safra de milho no Rio Grande caiu de 5,5 milhões de toneladas para 4,1 milhões, ao passo que na soja, a previsão de janeiro (8,4 milhões de toneladas) diminui para 7,7 milhões por causa da escassez de chuvas.

Segundo os meteorologistas o fenômeno foi provocado pelo La Niña, uma ocorrência climática que aquece as águas do Oceano Pacífico e altera o regime de chuvas em muitas regiões. Em geral, a estiagem acontece nos dois primeiros meses do ano, mas no Rio Grande do Sul os níveis de precipitação foram considerados adequados para o período e totalmente atípicos durante o mês de abril. As quebras foram sentidas também nas plantações de arroz, feijão, frutas, hortigranjeiros e na produção de leite. A preocupação agora é com a safra de trigo que começa a ser plantada a partir da segunda quinzena desse mês.

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Em Santa Catarina a região oeste foi a mais afetada pela seca, com perdas sensíveis nas lavouras e reflexos no comércio e na arrecadação dos 95 municípios em estado de emergência. Trata-se da pior estiagem dos últimos tempos, agravada pela crise financeira que travou o ritmo das principais cooperativas voltadas para o agronegócio. No Paraná não foi diferente e tanto a safra de verão quanto a safrinha de grãos sofreram prejuízos de monta, ocasionados pela estiagem que começou no final do ano passado e se estendeu por todo o primeiro trimestre. O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura calcula que o Paraná colherá menos 19% do que esperava, caindo a estimativa final da safra de 2009 para 26,2 milhões de toneladas, com a lamentável redução de 6 milhões de toneladas.

A gravidade do flagelo em nosso estado, mais uma vez correu mundo mediante a exibição das imagens das Cataratas do Iguaçu, um dos sítios mais procurados pelos turistas estrangeiros que vêm ao Brasil. A vazão de água despencou literalmente da média histórica apurada para o mês de maio, de 1.874 metros cúbicos por segundo para 428 metros cúbicos por segundo, mostrando em alguns pontos tímidos filetes de água escorrendo pelos paredões monumentais.

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Em suma, uma situação que se repete com aziaga periodicidade na região Sul, comprometendo o esforço da agropecuária na produção de safras recordes que facultam à economia nacional a benfazeja colheita de divisas para financiar o progresso. Nesse ano, o tributo cobrado pela natureza foi elevado.