O pacote de estímulo econômico proposto pelo presidente Barack Obama foi aprovado com alguns cortes impostos pelo Congresso, mas ainda assim representa um esforço abrangente do governo para evitar que a economia norte-americana entre em recessão. A versão final foi aprovada no Senado com a autorização de gastos de US$ 789,5 bilhões na redução de impostos, investimentos em obras públicas e ajuda direta a trabalhadores demitidos dos empregos. O plano passará agora pela Câmara dos Representantes.

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Mesmo com o agravamento do cenário nas últimas semanas, pontuado pela demissão em massa e queda acentuada dos lucros das empresas, a economia global emite sinais da volta da estabilização, embora poucos se arrisquem a fixar data para o evento. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos, União Européia e China, entre executivos responsáveis pelas compras de vários setores, mostram uma leve tendência positiva no mês de janeiro, dando lugar à percepção de que a contração da atividade industrial está perdendo velocidade. Há igualmente sinais claros da queda da taxa de juros nos empréstimos interbancários e reabertura de alguns nichos dos mercados de crédito.

A edição de pacotes oficiais de estímulo às economias atingidas pela crise também foi um fator vital para a volta da confiança dos investidores privados, levando os analistas a prever que com o aparecimento dos primeiros resultados positivos dos pacotes, o nível de confiança das empresas vai subir, fortalecendo as bases para a retomada do crescimento da economia mundial. Não obstante, os especialistas ainda estão hesitantes em afirmar que a crise é coisa do passado, ponderando que o resto do ano será afligido por momentos difíceis em muitos países.

Um executivo do importante centro financeiro de Londres, Kent Watreet, disse aos jornalistas que se começa a perceber o arrefecimento do ritmo da contração, “mas isso é, de fato, uma questão de ser menos ruim, não de ser verdadeiramente bom”. De qualquer modo, trata-se de um alívio real para todos quantos julgavam ter a economia mundial mergulhado numa fossa sem fim. Nesse contexto, a taxa Libor que é praticada no mercado bancário londrino, isto é, o juro cobrado sobre empréstimos de curto prazo entre as instituições bancárias, está em queda. No ano passado, a taxa disparou com o pedido de concordata do banco de investimentos Lehman Brothers, já que os bancos suspenderam os empréstimos mútuos. Com a aprovação do pacote proposto por Obama, tudo leva a crer que os mercados voltarão a desempenhar a relevante função de fornecer recursos para que as empresas possam continuar gerando empregos e riquezas.

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Desde o início do ano, as empresas emitentes de títulos colocaram no mercado globalizado um total de US$ 264 bilhões em bônus com grau de investimento (de baixo risco), que não contam com a proteção de nenhum programa governamental. Esse total superou em três vezes o resultado apurado no último trimestre do ano passado, quando as empresas venderam, em média, US$ 82,9 bilhões em dívidas sem garantia governamental. Mesmo com a deterioração do panorama econômico, o mercado de ações tem se mantido relativamente estável, sendo as oscilações das principais bolsas mundiais consideradas normais dentro dos padrões aplicados. Por esse conjunto de motivos, economistas de várias consultorias internacionais acreditam no potencial animador dos marcos de recuperação gradativa do sistema financeiro.

A economia real, entretanto, ainda exibe os prejuízos deixados pelo recente tsunami. Nos Estados Unidos se lamenta o fechamento de 900 mil postos de trabalho nos últimos 90 dias. O Produto Interno Bruto (PIB) dos 16 países da região do euro acusou a retração de 1,5%, o pior índice desde a entrada em funcionamento do bloco. O Reino Unido, segundo Mervyn King, presidente do Banco da Inglaterra, encontra-se “em recessão profunda”, exigindo novas ações de flexibilização da política monetária, incluindo o aumento na oferta de dinheiro para estimular gastos nominais. Todos sabem que o mal não será eliminado com placebos. O tratamento será longo e doloroso.

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