Tranca de ferro

Agora vai. O secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, anunciou a criação de um banco de DNA de pedófilos, os criminosos que atacam menores de idade – como os três que chocaram o Paraná, duas vezes em Curitiba e uma vez em Castro. A intenção, segundo o secretário, é catalogar os suspeitos e comparar vestígios quando acontecerem novos ataques.

Tudo bem, tudo certo. Mas até que ponto isto é positivo e inovador? Claro que toda iniciativa que visa impedir a proliferação dos crimes é válida, mas a Secretaria da Segurança não está acertando no método em que encaminha suas “novidades”. Anunciar um banco de DNA neste momento é como botar a tranca de ferro na porteira da fazenda depois do gado fugir.

A segurança pública do Paraná não pode literalmente correr atrás dos criminosos. Neste caso específico, é o que acontece. Duas semanas depois de três tragédias, o secretário vem a público e, em entrevista coletiva, faz o anúncio: o Estado tem um banco de DNA. Em contrapartida, não há pistas nem possibilidades nos casos das três meninas assassinadas.

A repórter Mara Cornelsen, especialista em cobertura policial, externou o sentimento da população em O Estado de ontem: “Ao convocar a imprensa ontem à tarde – para anunciar a criação de um banco de DNA para identificar pedófilos -, o secretário Delazari frustrou a expectativa da imprensa ao não falar sobre as investigações do assassinato da menina Rachel Maria Genofre”. Não só da imprensa, mas também da população.

Por sinal, apesar da necessidade óbvia da imprensa por informações, o poder público precisa esquecer a vaidade e guardar, apenas em seu setor de inteligência, detalhes que podem, caso divulgados, mais ajudar os bandidos que atrapalhá-los. O próprio banco de DNA, por exemplo, não precisaria ser divulgado à exaustão. Algumas atitudes da política de segurança precisam ficar restritas aos responsáveis. Nós, da sociedade, queremos a aplicação prática e eficaz, para que não sejamos mais surpreendidos por notícias trágicas.

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