Cléverson Marinho Teixeira é um dos advogados e homens públicos mais respeitados do Paraná. Já colaborou – e muito – com seu trabalho pessoal, revestindo de ética o Direito paranaense. Até o futebol local já conheceu seu jeito de agir, quando foi dirigente do Coritiba. Hoje, Teixeira é presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da seção Paraná da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). E tem uma tarefa importante e desgastante: lutar pela dignidade dos que estão dentro e fora do sistema prisional.
Na entrevista que concedeu ao repórter Leonardo Coleto, na edição de domingo de O Estado, Cléverson Marinho Teixeira deu um testemunho sobre a tragédia social que está diante de nossos olhos. O estado de penitenciárias, delegacias e casas de custódia é lastimável. Assemelha-se, infelizmente, aos campos de concentração que proliferaram na Alemanha e regiões invadidas durante a II Guerra Mundial.
Algumas frases do presidente da Comissão de Direitos Humanos merecem ser repetidas: “Chegamos a visitar alguns presídios do Estado, mas a preocupação maior está nas carceragens. Todas apresentam condições sub-humanas. Nos cárceres, o número de prisões tem aumentado em consequência do crescimento da violência. (…) Trata-se de uma condição macabra, insalubre e fétida. Existem superlotação, doenças, a alimentação é precária e sem higiene. (…) Se não agirmos dessa forma com relação ao sistema carcerário e penitenciário, a violência vai crescer cada vez mais. É ilusório pensar que tratar mal o preso não vai afetar a minha vida”.
O que Cléverson Marinho Teixeira diz precisa ecoar no Poder Judiciário e no comando dos órgãos de segurança. O atual estágio do sistema carcerário transformou as prisões em bombas-relógio que estão prestes a explodir, transfigurando a sociedade e instaurando um regime bárbaro de violência. Nenhum elemento sai de nossas penitenciárias recuperado. Sai, sim, imaginando que a sociedade tem uma dívida com ele – o que talvez seja verdade. Cuidar de quem está preso é, ao mesmo tempo, cuidar de todos nós, que estamos aqui fora.