Vinte e cinco anos depois da maior enchente do século em Santa Catarina, nosso estado vizinho sofre de novo com as chuvas. São pelo menos cinqüenta dias de precipitações, e a situação se agravou definitivamente com a tormenta do fim de semana. E mais uma vez ficou provada a nossa incompetência em cuidar dos fenômenos da natureza.
São coisas simples, como casas que não têm a impermeabilização necessária. Ou mesmo locais públicos, como o ginásio de Florianópolis, que tinha tantas goteiras que quase impediu a realização do jogo entre o time local e o Minas Tênis pelo campeonato brasileiro de vôlei masculino.
São coisas mais sérias, como a falta de escoamento da região do parque aquático Cascanéia, próximo à divisa de Santa Catarina com o Paraná. O local ficou isolado no fim de semana por conta da fortíssima chuva, e estudantes paranaenses estavam entre os mais de quatrocentos visitantes que lá ficaram, sem ter para onde ir.
É certo que, caso a chuva venha com grande intensidade, o que aconteceu no sábado e no domingo, não há muitas estruturas que agüentem firmes. Nem mesmo a terra consegue absorver toda a água. Mas, mesmo assim, ainda não estamos prontos para a fúria da natureza – cada vez mais próxima devido às intervenções que o homem faz no meio ambiente. Curitiba, por exemplo, correu nos últimos vinte anos para evitar os alagamentos no centro da cidade. Mas as chuvas mais fortes complicam o trânsito e prejudicam a população. Tudo porque não estamos preparados. As periferias sofrem com os deslizamentos de terra e com os rios que transbordam. A situação certamente é melhor que em outros tempos, mas ainda gera preocupação.
No meio de tanta desolação (quase dois milhões de catarinenses foram afetados pelas chuvas), surge ao menos uma coisa boa – a mobilização da sociedade. Governo do Paraná e população das áreas de divisa já começaram a colaborar com quem precisa. Neste momento, a menor ajuda pode fazer grande diferença para quem viu sua vida ser levada pela força das águas.