Vingança, tráfico, morte. Palavras que cada vez mais se unem, palavras que cada vez mais chocam, palavras que estão cada vez mais perto. Guaíra foi o palco da última tragédia do Paraná. Uma possível vingança de um traficante foi o estopim para uma chacina – dezessete pessoas foram alvejadas, quinze morreram. Salvaram-se uma mulher e uma menina. E a Polícia Civil tenta descobrir o paradeiro dos marginais.

continua após a publicidade

Além de descobrir quem são e por qual motivo torpe cometeram um crime tão bárbaro, polícia, Poder Judiciário e sociedade tentam encontrar um antídoto para o considerável aumento das ações de violência explícita dos traficantes de drogas. Eles simplesmente se julgam acima da lei e responsáveis, na mente torta que têm, pelo “justiçamento” dos que passam por seu caminho. Aliam-se a policiais e juízes para encontrar guarida quando necessário e atuam, principalmente, como benfeitores das comunidades onde vivem, provendo coisas que o Estado deveria prover.

É assim há um bom tempo no Rio de Janeiro, onde se chegou ao disparate de apelar para o Exército na tentativa de transformar o processo eleitoral municipal em algo limpo nas favelas e comunidades carentes da cidade – tal como os coronéis do passado, os traficantes obrigam a população a votar
em determinados candidatos que são simpáticos às narcoguerrilhas. Caso não elejam seus favoritos, os chefes do tráfico não escolhem um, e sim todos para a vingança.

Não é só Rio. Agora é em Guaíra, cidade de porte pequeno na região oeste do Paraná. Terra de gente ordeira, com uma beleza natural em volta que atrai amantes da natureza de todo o País. E cidade fronteiriça com o Paraguai – daí o problema, pois é de lá que vem boa parte do contrabando e do tráfico para o Brasil, após o reforço das ações da Polícia Federal na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu.

continua após a publicidade

“Azar” de quem mora na região e vira refém do crime organizado. Guaíra, que já teve as Sete Quedas e hoje é um patrimônio do nosso Paraná, não pode viver sob a aura triste da criminalidade. Tal como todos, de todas as cidades.