“Crime com requintes de crueldade”. O clichê do jornalismo policial nunca pareceu tão forte para a população de Curitiba quanto na descoberta do terrível assassinato da menina Rachel, de 9 anos. Desaparecida havia dois dias, foi encontrada dentro de uma mala na rodoferroviária da capital do Estado. Estava largada embaixo de uma escada, sem que ninguém soubesse quem a deixou ali. Estava com marcas de violência sexual, de estrangulamento. Estava morta, outra criança morta neste 2008 terrível, de tragédias envolvendo menores em todo o Brasil.

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Com Rachel, nova história triste, mais uma cena que choca, outra tragédia curitibana. Rachel Maria Lobo Oliveira Genofre era apenas uma criança, que tinha seus sonhos, seus gostos e seus amigos no Instituto de Educação do Paraná. Local que tanto bem fez ao nosso Estado agora fica marcado pelo sangue da barbaridade feita por uma pessoa que não tem noção da vida em sociedade. Ou há alguma outra explicação?

O que assusta é a constatação que fica da morte da criança. Ela fazia o caminho de casa para a escola, da escola para casa parte a pé, parte de ônibus. Nunca teve problemas. Mas na última segunda-feira teve. E bastou um único dia aziago para que a tragédia se consumasse. Rachel é símbolo involuntário da violência cotidiana, dos riscos que cada um de nós corre simplesmente por estar na rua.

Será que não poderemos mais permitir que nossos filhos ou netos andem nas ruas de Curitiba? Ou será que as ruas são apenas a extensão do nosso dia-a-dia, já que passamos perigo nos ônibus, nos shoppings, nas nossas casas? Cada vez mais estamos nos enclausurando. Quem tem mais pode se proteger mais. Quem não tem fica à margem da segurança e à mercê dos bandidos.

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E cada vida que se perde é uma lágrima que corre em nosso rosto. Quando a tragédia se abate sobre uma família, como a da menina Rachel, o choro é incontido, mistura tristeza e indignação. E mistura também um sentimento estranho, como se fôssemos coniventes com tudo isto, pois não lutamos sequer por melhorias na segurança pública de nosso Estado.