Do nada, começaram os atos de violência na Bolívia. O que parecia ser uma tentativa de resistência democrática ao governo de Evo Morales se transformou em uma onda de vandalismo e, para alguns, terrorismo. O ápice foi o ataque ao gasoduto Transierra, que acabou colocando o Brasil no meio do imbróglio (o Transierra abastece o gasoduto Brasil-Bolívia). Em meio à confusão, o presidente boliviano aumentou a crise ao expulsar o embaixador dos Estados Unidos do país.
A crise política piorou após o referendo que manteve o presidente Evo Morales no cargo. A definição no voto, que deveria acalmar os ânimos, acabou gerando ainda mais revolta dos movimentos separatistas – liderado por políticos e empresários da região de Santa Cruz de la Sierra, que agora também têm o apoio dos Departamentos (estados) de Chuquisaca e Tarija. Um dos líderes, Jorge Chávez, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, afirmou com todas as palavras o que pretende: “Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz”.
Quando a reação chega a este ponto, não se espera nada mais que a deflagração de uma guerra civil. E no momento que províncias afirmam que “se precisar, vai ter sangue”, já não se programa mais uma reformulação democrática. A intenção da oposição na Bolívia é derrubar Evo Morales.
Não que o presidente seja uma vítima indefesa. Com seus arroubos bolivarianos (e não bolivianos), Morales criou um clima de instabilidade no país que dificilmente será dissipado. A atitude de expulsar o embaixador dos Estados Unidos só aumenta a possibilidade de confronto. Neste momento, o mais correto é tentar (mesmo sabendo que isto é quase impossível) algum tipo de entendimento, usando intermediários como a Igreja Católica e entidades civis.
Mas não parece que isto vai acontecer. O que se avizinha é o enfrentamento, possivelmente em armas, entre bolivianos. Imaginava-se que guerras e tentativas de golpe tinham sido afastadas definitivamente da América do Sul. Agora vê-se o contrário. Um fato que preocupa e entristece o continente.