A espetacular fusão entre Unibanco e Itaú, anunciada na segunda-feira, criou não só um gigante do mercado financeiro, mas também uma nova temporada de aquisições. Os próximos movimentos dos bancos brasileiros (e das empresas internacionais no Brasil) devem ser rápidos e ousados, o que vai agitar muito o setor, e ao mesmo tempo anima e preocupa.
Anima porque mostra a vitalidade do setor financeiro, e prova que há gente atenta no mercado para qualquer eventualidade. É claro que Itaú e Unibanco são instituições sólidas, mas perceberam que juntas são mais resistentes às crises, como a que estamos vivendo agora.
E preocupa justamente por causa da crise e da possível queda no mercado de trabalho no setor financeiro. Cada fusão ou aquisição gera, naturalmente, um novo controle de custos, e isto pode causar demissões. As protagonistas da fusão de segunda-feira prometem não demitir, mas o fantasma já está rondando a vida dos bancários.
Mas a tendência de formação de grandes blocos financeiros é inevitável. Começou no Brasil com a venda do Nacional para o Unibanco, e a mesma instituição inicia esta nova fase unindo-se com o Itaú. Os alvos, a partir de agora, serão os bancos médios, que passarão a ser assediados por Santander (que há pouco comprou o Real) e Bradesco, que perdeu o posto de maior banco privado do País para a nova holding.
E em um mercado que anda na corda bamba entre a crise e o crescimento, é necessário foco e ousadia. O Bradesco, como o banco mais forte do setor, não tinha tanta “pressa” para agir, por conta de seu tamanho mastodôntico. Agora, terá que agir rápido, pois entre suas principais marcas estava a de ser o grande banco do País. Agora, o Bradesco terá que ir às compras, e com vontade.
Isto provocará um terremoto no mercado financeiro. E após o “tremor” só prosseguirão os mais fortes, o que é salutar em uma economia capitalista. O único porém é o impacto no mercado de trabalho, que pode ser razoável e transferir a crise das bolsas para as casas.