Há alguns dias, começou o “teatro” do pedágio. Acontece todo ano, em sessão única. Ainda bem, pois é uma peça já conhecida, com personagens estereotipados, discursos prontos e nenhuma novidade. Não é uma novela, pois não tem capítulos. Não é um filme, pois não tem ação. É uma peça, com atos que se repetem a cada final de novembro.

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Quarta-feira, terminou mais uma apresentação da peça “O Reajuste do Pedágio Não Baixa e Não Acaba”, direção da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), roteiro assinado em 1997 pelo governo do Paraná, participação especial da Justiça Federal e estrelando o atual governador do Estado, Roberto Requião.

A peça começa com os concessionários das rodovias que cortam o Paraná indo ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER) pedir o reajuste das tarifas do pedágio. Logo depois, vem o segundo ato: o DER, iracundo, decide não autorizar o aumento. Seguindo as ordens do governador, e o seu “ou baixa ou acaba” que não surtiu efeito, a idéia é complicar a vida das concessionárias.

Um ator não compareceu, deixando um papel sem dono. Afinal, o Paraná não tem secretário dos Transporte, pois Eduardo Requião ainda não tomou posse do cargo para o qual foi nomeado. Ao menos há a Secretaria Especial de Assuntos Rodoviários – e na nossa peça o secretário Rogério Tizzot entra como “ator convidado”.

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Vem o terceiro ato: sem possibilidade de conseguir o reajuste, as empresas que administram as estradas vão à Justiça para obter o aumento -afinal, está previsto no contrato que o governo assinou há onze anos (era outra gestão, mas querendo ou não é o governo do Paraná).

No quarto ato, há a expectativa inútil do Executivo e a certeza da iniciativa privada, que se confirma quando a Justiça Federal autoriza os reajustes. Este ato foi encenado na quarta, com o anúncio do aumento de 9,78%. A sexta apresentação da nossa triste peça teatral se encerrou com o protagonista afirmando, com um sorriso irônico: “O que você quer que eu faça?”.

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Este teatro raso logo vai se transformar em uma ópera-bufa.