O segundo debate, transmitido pela televisão, dos candidatos à Prefeitura de Curitiba com todos os postulantes ao cargo foi realizado na noite de quinta-feira, na Bandeirantes. Pouca coisa nova foi vista, poucas propostas interessantes foram apresentadas. O que ficou evidente é que, a partir de agora, todos partiram para o ataque sobre o atual prefeito Beto Richa (PSDB), que tenta a reeleição. Com ampla vantagem sobre os adversários nas pesquisas de intenção de voto, ele virou o alvo de uma tática de guerrilha.
Parecia que todos os outros candidatos (exceção ao folclórico Lauro Rodrigues, do PTdoB) tinham chegado à sede da emissora com o discurso combinado – era a hora de atacar Beto Richa. Até mesmo a segunda colocada nas pesquisas, Gleisi Hoffmann (PT), que vinha levando tudo no estilo “paz e amor”, que deu certo nas eleições do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi agressiva e tentou atingir o prefeito. Se conseguiu ou não, fica para quem acompanhou o debate, e que tem o discernimento de tomar suas conclusões.
Mas o que ficou nítido para os observadores desta eleição é que as propostas para melhorar Curitiba serão cada vez menos vistas nas participações (entrevistas ou debates) nas emissoras de TV e rádio e na propaganda eleitoral. Aos opositores de Richa, caberá o papel de franco-atirador, tentando encontrar falhas na atual gestão da capital do Estado. Ao prefeito, ficará a defesa, apresentando os dados que apontam a melhoria na qualidade de vida dos curitibanos.
Perde a eleição. Perde porque ficamos sem a discussão dos problemas principais da cidade. Afinal, com tantas acusações e denúncias não sobra tempo para a população saber o que os candidatos pensam sobre transporte público, saneamento, limpeza pública, habitação, educação e saúde. Ao final, quando um ganhador surgir, não será possível cobrar muito, pois pouco será apresentado.
Mas ganha a eleição. Ao menos o marasmo irritante dos últimos meses será quebrado. Mas que todos lembrem que acusar sem provas é crime – além de ser um golpe fatal para os acusadores.