A semana foi agitada em Bocaiuva do Sul, cidade da Região Metropolitana de Curitiba. Tudo porque os moradores resolveram fazer um protesto. O motivo foi explicado na edição de terça de O Estado, na matéria da repórter Luciana Cristo: “Eles protestavam contra a tarifa de R$ 2,70, praticada desde o mês passado. Das 350 linhas de ônibus da Rede Integrada de Transporte (RIT), a de Bocaiuva – que transporta 1,3 mil passageiros por dia – é a única que opera com tarifa diferenciada. Nas demais, a tarifa é de R$ 2,20. (…) Apesar da linha de Bocaiuva ter integração física com a RIT, a passagem nunca teve o mesmo preço, desde 1997, quando a prefeitura fez acordo com a Coordenação da RMC (Comec) para entrar no sistema. Desde o início, o acordo para a entrada do município na RIT era essa tarifa diferenciada, pois já era considerada uma linha cara”.
Imagine para um funcionário de uma empresa que mora em Bocaiuva e trabalha em Curitiba. Apesar de usar a Rede Integrada, ele paga a tarifa mais cara da RMC todo dia – R$ 2,70 para ir e R$ 2,70 para voltar. Em um mês, ele gasta no mínimo R$ 118,00 apenas em transporte público. Imaginando que a empresa subsidie a passagem, ele terá o valor de R$ 2,20, perdendo cinquenta centavos a cada viagem. Quinze reais (ou mais) por mês fazem uma diferença danada para quem ganha salário mínimo.
Por isso, a principal pergunta está na última frase da reportagem: por que a linha de Bocaiuva é considerada cara? É por conta da distância? É por causa do trajeto entre a cidade e Curitiba? Será por tudo isso? Ou há algum motivo secreto para justificar os “indecentes” R$ 2,70?
A Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) administra a linha, por conta de acordo com a Comec. Cabe, portanto, às duas explicarem os motivos, sem maiores delongas. Os moradores de Bocaiuva do Sul, cidadãos como todos nós, esperam respostas. E esperam a colaboração do poder público, que tem como obrigação servir à sociedade, provendo um bom serviço de transporte a um preço razoável.