Por mais que estejamos acostumados com as más notícias no sistema de segurança pública, ainda nos assustamos com fatos como os divulgados esta semana. O repórter Fábio Schatzmann, de O Estado, contou na edição de quarta-feira: “Dez policiais civis da delegacia do Alto Maracanã (Colombo), dentre eles a delegada titular, Márcia Rejane Vieira Marcondes, e o marido dela, o escrivão José Antônio Braga, que exercia o cargo de superintendente, além de outros seis funcionários públicos, foram presos numa operação desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) -braço armado do Ministério Público – e pela Corregedoria da Polícia Civil. Eles são acusados de comandar um “esquema” de recebimento de propinas, principalmente de traficantes de drogas, para não prendê-los. (…) Há suspeitas de que também lucravam facilitando fugas”.
Claro que a delegada e o superintendente não são culpados, eles foram acusados e caberá ao Ministério Público e à Corregedoria da Polícia Civil provar que eles realmente são responsáveis pelo esquema de recebimento de propinas. Mas, em um período de profundo descrédito com as autoridades de segurança, a operação da terça-feira coloca mais um ponto de interrogação sobre a credibilidade da instituição.
Não é necessário dizer que no sistema de segurança pública e, particularmente, nas polícias Civil e Militar existem profissionais gabaritados, que não aceitam ver a instituição sofrer com tantos processos e inquéritos, e que batalham por uma espécie de “limpeza ética”. O problema é que estes parecem cada vez mais distantes do centro das decisões, e acabam sendo voz minoritária dentro de uma crise ainda não debelada.
Estes policiais, delegados e superintendentes são a salvação da nossa segurança pública. É com eles que poderemos contar, pois enfrentamos dois “dragões” assustadores: de um lado, vêm as notórias falhas no sistema, que geram preocupação para a sociedade; de outro, os maus elementos infiltrados na instituição, que se preocupam em ganhar dinheiro e esquecem de cuidar das pessoas de bem.