A equipe econômica do governo federal e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se cansam de dizer que a crise financeira internacional é uma “marola”, e que o Brasil vai sair bem do furacão que está varrendo o planeta. A tática vinha dando certo, com as medidas de incentivo ao consumo e os resultados positivos das vendas do comércio no final de 2008. Mas aí veio um susto, justamente da “locomotiva do Brasil”.

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Depois de várias montadoras liberarem os funcionários para férias coletivas, eis que a General Motors (GM) do Brasil anuncia quase novecentas demissões na unidade de São José dos Campos. Sabe-se que a crise da GM local não é isolada. Primeiro, na dimensão mundial do buraco em que a empresa está afundada, torcendo para que o governo dos Estados Unidos injete dinheiro para evitar a falência. Segundo, na real possibilidade de estagnação do crescimento do País nos próximos três ou seis meses.

As demissões da GM são um sinal de que as coisas não estão tão bem assim. Acima de qualquer outra coisa, este é um fato que clareia a atual situação da montadora, que (assim como tantas outras subsidiárias pelo mundo) está vendo seus lucros serem tragados pela matriz à beira da insolvência. A Chevrolet brasileira é sólida, mas a barafunda da empresa complica sua situação.

E é uma amostra do risco que a economia brasileira corre. O problema vem de fora, envolve a queda do crédito internacional, a correria por posições mais sólidas e o aumento das remessas das divisas para o exterior. Apesar da estabilidade perdurar por quase quinze anos, ainda não temos as condições de assegurar para os investidores que vamos passar limpos (ou pouco sujos) pela crise financeira.

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E uma notícia como a divulgada segunda-feira pela GM preocupa, porque pode ser o pontapé inicial de uma série de anúncios semelhantes. Em um mundo globalizado, um espirro aqui pode ser interpretado lá fora como uma pneumonia fulminante. O governo tentará impedir de todas as formas que as peças do dominó caiam, pois segurar uma possível onda negativa será muito complicado.