Daniel Augusto Maddalena

continua após a publicidade

Em poucos meses termina um governo que, oriundo do sindicalismo das décadas de 70 e 80, amalgamado pelos ?anos de chumbo?, mostrou-se inoperante e ineficiente, dando crédito à máxima de que ?quem nasceu para estilingue, não suporta ser vidraça?. Exprimindo a realidade política brasileira, o discurso forte da oposição traduziu-se em um insípido conto de fadas.

Quando assumiu, nosso atual presidente criticou aqueles sindicatos, que chamou de ?sindicatos de carimbo?. Porém, analisando o setor, observa-se que a única mudança ocorrida na era Lula foi para pior. Os novos sindicatos que obtiveram autorização do governo coroaram a prerrogativa que os atuais ?amigos do rei? sempre combateram. Uma rápida pesquisa aponta que as autorizações para a criação de novos sindicatos beneficiaram aqueles correligionários que estão ?grudados?, sem a menor intenção de desgarrar-se da máquina que administra o País.

Um dilema aparece. Será que os sindicalistas estão satisfeitos por ter apoiado a ascensão de um líder sindical ao poder? Foi feito algo no sentido de melhorar os sindicatos já existentes? São perguntas com respostas nada animadoras.

Do lado da geração de jovens que buscam ingressar no mercado de trabalho, a visão que têm dos sindicatos é ainda pior. Sua cultura e ação são pouco ou quase nada disseminadas. Isso acontece, talvez, por falta de um líder que os oriente sobre a importância de se criar uma ideologia digna, lapidando o espírito nacionalista de busca e afirmação de interesses. Não houve o cuidado de levar adiante tal empreendimento. Talvez porque falar em ideologia seja algo ?ultrapassado?. O modelo atual permite aos jovens se sentirem livres, ao mesmo tempo em que não encontram um referencial, para assumirem por si a identificação de seus interesses. Esse é o paradigma sindical.

continua após a publicidade

Neste ?novo mundo?, esperar que uns poucos militantes lutem pelo interesse de uma maioria é criar uma visão falaciosa da realidade. Manifestações com milhões de pessoas nas ruas, faixas, protestos e cavalaria ecoam na mente de uns poucos desavisados e apenas de forma nostálgica.

Outras questões sociais são mais preponderantes no mundo moderno. Biossegurança, transgênicos, inclusão digital, violência urbana, políticas ambientais, entre outros assuntos, chamam mais a atenção da atual juventude, que agora busca suas respostas e grita suas reivindicações de outras formas, que substituem os velhos jargões pseudo-socialistas que ecoavam outrora.

continua após a publicidade

Curiosamente, vê-se que o vermelho das bandeiras de ontem foi substituído pelo verde de hoje. Só mesmo uns poucos ?esquizofrênicos? ainda crêem que a elevação de um Estado paralelo, combinando luta armada com posse forçada de terras, possa traduzir-se em um futuro promissor. Essa dominação de poucos espertalhões de plantão sobre muitos desavisados ao léu é um paradoxo digno de ser analisado.

É decepcionante observar a inclinação do governo em apoiar essa ?estupidez?, mesmo que de forma velada, não punindo ações de vandalismo contra a iniciativa privada, que tem seus direitos resguardados pela Constituição, ou de forma declarada, não oferecendo solução para o problema dos assentamentos prometidos e nunca entregues. Isso, além de deixar de lado a possibilidade de apostar em uma nova geração de operação sindical com a massa trabalhadora do País.

Quantas foram as garantias de oportunidade ao primeiro emprego? Qual o número de carteiras de trabalho assinadas para empregada doméstica efetivamente conseguido? Qualquer ?marqueteiro? de plantão poderia dizer que tais medidas têm efeito de explosão. São estrondosas e geram um grande brilho, apenas momentaneamente. Depois, fica a fumaça seguida por um grande e negro buraco, com muito estrago feito. E assim, desde seu começo, é escrita a história do ?governo do povo?. Uma explosão atrás da outra.

São poucas as lideranças sindicais sobreviventes. A maior parte desapareceu, sem que pudesse se preocupar em encontrar a chave da continuidade da representação do trabalhador. O sindicalismo de outrora morreu e foi enterrado. Qual o novo paradigma?

Nada que deu resultado anos atrás pode funcionar novamente. Ou porque as estratégias estão ?manjadas? – com aquele desfecho já visto em muitas histórias de líderes que berravam em megafones, levantavam bandeiras, mas que agora não mais fazem parte dessa vida -, ou porque simplesmente o mundo mudou. Agora, as pessoas enxergam os fatos de outra maneira, o sistema de relação capital-trabalho atingiu uma incrível e indelével posição, para a qual não cabe mais interferência de especulações representativas. Afinal, não somos mais ignorantes para acreditar que ?eles? querem chegar ?lá? para defender os nossos interesses.

Com o novo quadro ?pintado?, a dúvida inevitavelmente aparece: quem agora representa, de fato, o interesse do trabalhador? A resposta: felizmente, caro trabalhador, é você mesmo! Ou esperava ser tutelado o resto da vida? O andar é solitário e o estímulo, imperativo. Cresça!

Daniel Augusto Maddalena é consultor especialista em cooperativismo.