Bastou acender a luz de emergência do setor agrícola, advertindo para a probabilidade do encurtamento da estimativa de safra para 2008/2009, por causa da escassez de recursos de custeio, utilizados na aquisição de insumos essenciais para a melhoria da produtividade das lavouras (como tem ocorrido nos últimos anos), para o governo anunciar o reforço de caixa de R$ 2,5 bilhões a fim de cobrir a lacuna do crédito rural. De quebra, serão destinados entre R$ 3 a R$ 4 bilhões para a construção civil, bem como ficou assegurada a maior participação dos bancos oficiais nos empréstimos a pessoas físicas e jurídicas.

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A safra de soja, milho, arroz, feijão, algodão e outros grãos, que começa a ser plantada agora na região centro-sul para ser colhida no próximo ano, está estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), desde o início de outubro em 144,55 milhões de toneladas. Contudo, com a explosão da crise financeira nos Estados Unidos e Europa, houve uma retração forçada nos financiamentos para a compra de fertilizantes e defensivos, levando a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) a prever o risco de queda de até 5% do volume físico da safra, em relação ao número projetado pela instituição ligada ao Ministério da Agricultura e Abastecimento.

 Segundo cálculos da área de economia agrícola da CNA, a produção da temporada de 2008/2009 poderá diminuir cerca de 7,2 milhões de toneladas em comparação à última safra, que atingiu o recorde de 143,8 milhões de toneladas. Por conseguinte, a próxima safra seria a primeira no período de três anos a acusar perdas tão elevadas, gerando como conseqüência imediata o comprometimento da oferta interna de alimentos, da mesma forma que haveria defasagem no volume das exportações de commodities agrícolas no exercício vindouro.

Para o presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, José Mário Schreiner, não há nenhum exagero no alerta disparado pela entidade, enfatizando que se a falta de crédito se prolongar, os próximos trinta dias serão cruciais para o plantio de safra de verão, ampliando a gravidade das perdas. Como sabem todos os produtores rurais, a aplicação de insumos agrícolas tem um momento certo recomendado pela pesquisa científica. Se esse princípio não for observado com critério, ou seja, se não houver dinheiro disponível nos agentes financeiros para a compra dos insumos, a produtividade das lavouras decerto será grandemente prejudicada.

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Daí, o governo ter dado pronta resposta ao clamor dos produtores rurais, por intermédio de sua representação nacional, acrescentando R$ 2,5 bilhões aos R$ 10,5 bilhões liberados anteriormente. Como sempre há alguma demora até que o dinheiro chegue, efetivamente, às mãos do agricultor, cabe ao governo cobrar agilidade dos bancos comerciais, dos quais diminuiu a alíquota dos depósitos compulsórios no Banco Central, com o objetivo de colocar maior volume de recursos à disposição do crédito rural. Como o prazo recomendado para o plantio está se esgotando, o fluxo dos financiamentos deverá ocorrer com a mesma velocidade, sob pena de aumentar ainda mais a frustração daqueles produtores que ainda devem aos bancos.

Aliás, essa é a situação vivida por produtores de Mato Grosso, onde a falta de crédito coincidiu com o vencimento das parcelas de contratos de financiamento assinados no ano passado. Trata-se de um problema localizado, mas de solução urgente, tendo em vista que a região é responsável por 30% e 50%, respectivamente, das produções nacionais de soja e algodão.

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Mais do que o encolhimento do crédito aberto por fornecedores de insumos e tradings compradoras da produção, além da alta de até 50% em dólar dos fertilizantes em relação aos preços praticados em 2007, os agricultores ainda terão pela frente o clima de instabilidade do mercado mundial. Como diz o ministro Guido Mantega, vamos aguardar para ver o tamanho da encrenca.