Durante o mês de março último houve um decréscimo de 5% no número de pessoas ocupadas no setor industrial como um todo, em relação a período igual no ano passado. A revelação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mantém a série histórica há mais de oito anos, mas em nenhuma ocasião anterior havia apurado um resultado tão sofrível. A diminuição do ritmo da produção industrial acabou assumindo uma proporção sem precedentes para o mercado de trabalho.

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A queda acumulada do universo de empregos no setor industrial chegou a 5,8% nos últimos seis meses, verificando-se também em relação a março do ano passado uma queda sensível nas folhas de pagamento. Na comparação com o mês de fevereiro, a queda foi de 0,6%, a sexta consecutiva. Entre janeiro e março do corrente se verificou um recuo de 4% nas folhas de pagamento, o pior resultado em primeiros trimestres desde que o IBGE começou a arquivar a série histórica. O economista André Macedo, um dos técnicos da coordenação de indústria da instituição, ao comentar os resultados da pesquisa afirmou que “há uma transmissão bastante rápida para o mercado de trabalho porque a desaceleração na atividade também foi rápida e intensa”.

Desde outubro do ano passado o IBGE vem constatando a desaceleração da produção industrial brasileira e suas consequências imediatas sobre a oferta de empregos. Macedo enfatizou que em março, o mercado de trabalho na indústria apontou taxas negativas na maioria dos locais e setores pesquisados. Pesquisadores da instituição realizam o trabalho em 14 regiões do País, e em todas houve redução do número de pessoas ocupadas na indústria em março, no comparativo com igual período do ano anterior. O destaque ficou com São Paulo (menos 4%), regiões Norte e Centro-Oeste (as duas com menos 8,6%) e Minas Gerais (menos 6,2%). Dos 18 segmentos pesquisados, o IBGE anotou quedas na ocupação de pessoal em 14, com perdas médias de 8,5% contabilizadas nos pólos industriais de vestuário, máquinas e equipamentos, calçados e artigos de couro e meios de transporte.

A área técnica do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento (Iedi), diante dos números fornecidos pela pesquisa do IBGE, acredita que haverá recuperação do nível de emprego industrial, mas ela será lenta em decorrência do afunilamento dos níveis de produção da própria indústria. Para o Iedi, no entanto, é preciso aguardar pelo menos os próximos três meses para constatar se os ajustes no mercado de trabalho do setor industrial vão continuar deficitários. Consultores do mercado, por seu turno, argumentam que há indícios seguros de melhorias já a partir do segundo trimestre e se concretizando nos meses seguintes, quando se calcula que a indústria volte a crescer a taxas mais expressivas que as registradas nos primeiros meses do ano.

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Um dado estimulante foi liberado na terça-feira, 13, pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), dando conta da diminuição do ritmo de queda do Índice Nacional de Confiança do Consumidor, trabalho realizado para a instituição pelo instituto de pesquisas Ipsos. A apuração resulta de mil entrevistas domiciliares feitas todo mês em nove regiões metropolitanas e mais 70 cidades do interior do País. O balanço referente ao mês de abril ficou em 119 pontos, com queda de apenas dois pontos em relação a março, que apresentara um recuo de oito e 12 pontos em relação a fevereiro e janeiro, respectivamente. O presidente da entidade, Alencar Burti, confirma que os números indicam uma recuperação: “O mais importante é a tendência. Caso o quadro externo não se altere demais, teremos um segundo semestre melhor”.

O ponto importante a ser salientado tanto na perspectiva favorável de recuperação gradativa dos empregos perdidos no setor industrial e do Índice Nacional de Confiança dos Consumidores, é que a população brasileira não perdeu o otimismo mesmo nos momentos mais desafiantes da crise financeira global. Esse é o principal elemento de apoio à tese de que o Brasil será uma das primeiras economias a se livrar da terrível praga.

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