A grande expectativa das eleições municipais em todo o País residia em São Paulo. Além de ser a maior cidade do Brasil, e com uma economia maior que de muitos estados da Federação, a cidade tem um duelo inusitado. Para tentar vencer Marta Suplicy (PT), a coalizão PSDB-DEM lançou dois candidatos: o atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM), e o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB). Na teoria, algo normal não fosse o fato do
atual governador, José Serra (PSDB), apoiar informalmente Kassab, seu vice nos dois anos em que foi prefeito, e não Alckmin, de seu partido.

continua após a publicidade

Mas na quarta-feira, enfim, Serra se decidiu. E apareceu no horário eleitoral gratuito apoiando Geraldo Alckmin, com quem rivaliza no comando do PSDB em São Paulo. “Eu e o Alckmin participamos da luta do PSDB para modernizar o Brasil. Alckmin foi governador, onde teve grande aprovação. São a história e o espírito do partido e as qualidades do seu candidato que me levam a apoiá-lo nesta eleição”, afirmou o governador na propaganda obrigatória.

Além dele, apareceram no horário de Geraldo o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso e o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), além de imagens de arquivo do governador Mário Covas, falecido em 2000 e que teve o agora candidato a prefeito de São Paulo como seu vice.

É mais uma vitória do ousado Alckmin contra o hesitante Serra. Em 2006, o atual governador seria o candidato à presidência, pois tinha chances reais de enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Geraldo peitou Serra e o partido, e impôs sua candidatura – levou a eleição para o segundo turno, no qual teve menos votos que no primeiro. Este ano, obrigou os tucanos a levarem a decisão sobre a candidatura para a convenção e venceu, contra a vontade de Serra, que queria aliança com Kassab desde o início.

continua após a publicidade

Único a ter chances de polarizar com Marta, Geraldo está dando as cartas. Mais popular e candidato do PSDB à presidência em 2010, José Serra ficou diminuído de novo. O que vai prejudicá-lo daqui a dois anos.