Nos últimos sete anos, o governador do Paraná e seus áulicos reclamaram muito da imprensa. Diziam que esta aumentava ou inventava fatos, tudo para prejudicar o trabalho do governo estadual. Qualquer dado concreto que surgia era transformado em “canalhice”, como os ônibus escolares parados no Centro Cívico, em Curitiba, e o número impressionante de homicídios de jovens em Foz do Iguaçu.
O setor de segurança pública foi o que mais gerou reprimendas públicas do governador Roberto Requião e de seu vice-rei no setor, o secretário Luiz Fernando Delazari. Acreditássemos nas palavras deles e estaríamos em uma terra prometida, com redução da violência e com o controle da situação pelas autoridades. Era isso que eles diziam, era isso que os políticos ligados ao governo estadual sempre diziam.
Pois, na quarta-feira, as coisas mudaram. Sim, porque o deputado estadual Luiz Claudio Romanelli (PMDB), líder do governo na Assembleia Legislativa, foi assaltado. Homens armados invadiram a casa do político e levaram cerca de R$ 10 mil em dinheiro e equipamentos de informática. Por sorte, ninguém foi ferido na ação dos marginais.
Mas foram interessantes as declarações do deputado: “Fui vítima de um pessoal que age profissionalmente, pelo método que utilizaram. Fica uma sensação de impotência (…) Vou reforçar a proteção aqui em casa, pensar em algum sistema que melhore a segurança”.
A “sensação de impotência” de Romanelli, com a qual todos se solidarizam, é a mesma que cada um de nós tem todo dia ao sair de casa, ao chegar e sair do trabalho, ao voltar para casa à noite. A vida dos paranaenses é de tensão, pois a insegurança nos deixa reféns dos próprios sentidos – qualquer coisa que se movimente em nosso caminho virou ameaça, mesmo que seja apenas uma ilusão de ótica.
Foi preciso o líder do governo ser assaltado para que aqueles que comandam o nosso Estado perceberem o risco que a população corre. Só assim eles saíram do mundo da fantasia em que vivem e entraram na nossa dura realidade.