Clemente Ivo Juliatto
Em 6 de junho, comemora-se o Dia de São Marcelino Champagnat. A santidade tem origem no amor a Deus e ao próximo. É Deus que escolhe um lugar, um tempo, uma pessoa e a consagra. Champagnat é uma dessas pessoas. Como homem pleno e fecundo e apóstolo zeloso das crianças e da juventude, Marcelino doou a sua vida para fundar um instituto religioso e construir o Reino de Deus. Foi sinal profético em tudo o que se dispôs a fazer no dia-a-dia. É um santo que nos convida a agir de forma dinâmica no presente e olhar para o futuro com audácia e esperança.
Foi reconhecidamente um homem realista, empreendedor e pragmático. A semente lançada por Champagnat se frutificou por todo o globo terrestre. Sua ação está presente em 76 países e mais de 5.000 religiosos maristas. A sua inspiração pedagógica reafirma a essencialidade da educação integral no processo de crescimento das pessoas e das sociedades. No Paraná e no Rio Grande do Sul, as duas Pontifícias Universidades Católicas da região são mantidas e administradas pela Congregação Marista, entidade fundada por Champagnat, em 2 de janeiro de 1817.
Padre Champagnat nasceu em 20 de maio de 1789 e morreu em 6 de junho de 1840, aos 51 anos de idade, na França. A Europa, nessa época, passava por um período de profundas transformações, oriundas da Revolução Francesa com seus ideais de progresso social e solidariedade, mergulhando Paris numa grave crise na sociedade e na Igreja. Nesse contexto, Marcelino cresceu e foi educado. Champagnat foi canonizado pelo saudoso Papa João Paulo II, em 18 de abril de 1999.
Sem exceção, todas as pessoas que atuam nas áreas da educação, saúde, comunicação, pastoral, catequese e outras podem desenvolver matizes, características, clima, jeito próprio de Champagnat. Para tal, basta ter devotamento ao bem comum e coração cheio de ternura, cultivar a alegria e o respeito, acolher as pessoas com amor, seguir a verdade do Evangelho, enxergar além do tempo e do espaço, preparar obras para a continuidade, viver intensamente a ética e a solidariedade, ser entusiasta e idealista, não ter medo ou vergonha de ser peregrino da fé, da moral e do humanismo cristão. São básicos o cultivo e o engrandecimento das amizades.
Universidades e faculdades, colégios, hospitais, meios de comunicação e obras sociais mantidas e administradas pelos maristas são pequenas Igrejas que praticam o Evangelho e voltam-se para alcançar o transcendente. Marista consagrado ou marista leigo é toda pessoa que ama integralmente a Deus e ao próximo. O amor é um só, sem fronteiras, sob aspectos diferentes. A cada dois anos, em média, a massa tecnológica e os conhecimentos dobram, mas os valores que unem as pessoas, como respeito, afeto, atenção, gratidão e fraternidade, são permanentes. A solidariedade e o amor fazem parte da amizade.
No Brasil, os maristas mantêm mais de 100 mil alunos na pré-escola, ensino fundamental e médio, mais de 65 mil no ensino superior e 50 mil crianças carentes são assistidas em obras sociais. Qualquer criança e jovem podem ser educados por meio da escola, mídia, arte cênica, coral, obra assistencial. Tudo isto faz parte da missão e confirma aspectos essenciais da missão marista. A via de santidade de Marcelino passa pela unificação profunda de todo o ser e atuar, no amor de Deus, para se abrir ao próximo, exprimindo e traduzindo a fé em obras.
Recordo-me que, em sua homilia, na solenidade de canonização, em 18 de abril de 1999, Sua Santidade João Paulo II ressaltou que os santos são exemplares testemunhas da fé ardente, da caridade genuína, do zelo pela alma, do amor à verdade e da fidelidade ao Evangelho e à Igreja. A quotidiana aspiração do ser humano é a ressurreição, mas para isso precisa colocar em seu coração a paz, a fé e a esperança plena em Deus. Por isso, todos somos convidados a dar atenção máxima para a virtude da caridade, a Deus e aos irmãos, especialmente aos que dela necessitam.
Clemente Ivo Juliatto é reitor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná e integrante da Academia Paranaense de Letras.