Seguro negado, vida também

Se a vida de uma pessoa vale menos que o seguro previdenciário de outra é melhor parar tudo. É hora de revisão. O descontrole assumiu o controle. Se um segurado (não se trata de um bandido, mas de um gari de 60 anos, de Patrocínio/MG), aponta uma arma e dispara a bala fatal sobre a cabeça do perito que lhe negou o benefício, é momento de mudar radicalmente a conduta até agora adotada. Ou seja, proteção é a prioridade doravante. (Muito mais do que se observa cotidianamente na rotina dos profissionais do INSS.) O equilíbrio faz bem e é necessário quando as circunstâncias assim o permitem. Todavia, quando se perdem as rédeas e os cavalos correm por conta própria, pouco se resta a fazer, além de se intervir de forma drástica, na tentativa de retomar o adequado domínio sobre a situação.

É notória a perturbação da população (inclua-se o perito-médico e o pessoal da agência também) mediante as mudanças que ajustam os benefícios no setor. Contudo, é o caminho mais indicado até o momento para se reverter o velho quadro de desajustes. Do contrário, nunca se sairá do buraco que foi cavado ao longo de muito tempo. Embora trabalhoso, acertar os erros é a forma encontrada para direcionar os recursos a quem de verdade merece. Nos casos em que o segurado se sinta injustiçado, ele deve procurar os seus direitos. (É uma garantia inquestionável!) A questão é que, matar não é direito de ninguém! Não retrocedemos no tempo em que a arma era a lei. Não!

É importante lembrar que outros peritos já sofreram também, e a coisa tende a não parar por aí. Logo, reafirmo, ou toma-se providência e se assegura uma proteção melhor (detector de metais pode reduzir bem os atentados), ou algumas medidas deverão ser estabelecidas, tal como a greve no setor. É uma questão de vida ou morte.

Pois bem, já que se chegou a este infeliz trecho da história profissional dos médicos que são responsáveis pela perícia da Previdência Social, é hora de estabelecer claramente os limites do campo, a fim de identificar até onde é possível participar do jogo sem se arriscar. (O risco é alto demais!) Não há ser humano que se sinta seguro quando percebe o perigo lhe rondar, sorrateira e malevolamente. Quem se arrisca?!

Quando a sociedade se vê ameaçada por tal descontrole, ela fica refém de si mesma, pois o perigo que ronda o perito também se encontra próximo de qualquer outro. A violência atinge todo tipo de vítima. Bala de revólver, em boa parte das vezes, não escolhe o destino e acerta em quem estiver na sua trajetória.

Brigar pelos direitos é um ato de cidadania, porém, quando se perde a noção dos limites, a coisa muda de figura. O segurado deve se conscientizar, dialogar e cobrar. Em último caso, pode até espernear quando se sentir desgostoso. Mas, ferir, não. Matar, nunca! Em hipótese alguma! A morte do perito (e o sofrimento de seus próximos) causa tristeza e abala o sistema social. É bom parar por aí! A população depende diretamente dos serviços prestados por este profissional. É tempo de respeitar!

Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo e diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas. É professor e mestre em Liderança pela Unisa Business School. E-mail: selfcursos@uol.com.br.

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