Dentro de poucos anos, o Brasil fará parte do grupo dos seis países que possuem os mais avançados sistemas de previsão de tempo e clima, além de contar com um instrumental tecnológico capaz de fornecer e atualizar os modelos das mudanças climáticas mundiais. A providência está em curso no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), que recentemente anunciou a abertura do processo de licitação internacional para a compra de um supercomputador avaliado em R$ 50 milhões.

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A iniciativa, talvez a mais importante decisão do governo federal numa área com reconhecidas precariedades, após décadas de convivência com um instrumental obsoleto, marca a firme disposição de cravar a questão climática e suas conseqüências sobre a produção agrícola na agenda prioritária para o desenvolvimento nacional. A relevância do fato extrapola a intenção de reforçar a estrutura tecnológica dos serviços de meteorologia, tendo em vista o estágio atual de investimentos maciços na pesquisa, aquisição de equipamentos sofisticados e custeio de estudos avançados. O exemplo é o supercomputador a ser utilizado na simulação de cenários futuros, com o objetivo de dar respaldo ao importante trabalho de investigação científica das vulnerabilidades, propiciando subsídios para a elaboração de políticas públicas aptas a suavizar os impactos das mudanças climáticas.

Bastaria uma rápida avaliação dos imensos prejuízos que periodicamente afetam a produção agrícola, ademais dos desequilíbrios registrados, por extensão, nas áreas de recursos hídricos e meio ambiente para considerar inadiável o projeto do governo federal. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a opção pelo sistema que originou a licitação internacional está rigorosamente subordinada ao atendimento da necessidade de adquirir um equipamento dotado de sistema de computação, sistema de armazenagem e rede de comunicações de propósito geral, conforme as especificações descritas no edital. Caberá à empresa vencedora da licitação, segundo informou o jornal Valor Econômico, fornecer além dos componentes, a documentação, instalação e treinamento do pessoal.

Os recursos serão fornecidos pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que vai entrar com R$ 35 milhões, prevendo-se também o compartilhamento financeiro de R$ 15 milhões provenientes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), uma instituição mantida pelo governo estadual. A administração do projeto e compra do sistema está a cargo da Fundação de Ciência e Tecnologia Espaciais (Funcate). O complexo será instalado na cidade de Cachoeira Paulista (SP).

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Com a instalação do novo sistema, dentro de três a quatro anos os técnicos terão a possibilidade de produzir cenários climáticos com níveis quase absolutos de acerto, suprindo uma deficiência ainda grave no quesito das variações climáticas regionais. A precariedade ainda existe porquanto os modelos utilizados não são específicos para as peculiaridades regionais existentes no território brasileiro.

Para os cientistas envolvidos no processo, o Brasil não apenas entrará no grupo dos seis países hoje na vanguarda tecnológica quanto às previsões de clima e tempo, como passará a dispor de um supercomputador com capacidade de processamento 50 vezes superior da que o Inpe possui atualmente. Uma idéia do que isso significa em termos de avanço está na possibilidade de elaboração de cenários de mudanças climáticas globais de alta resolução espacial para os próximos séculos e projeções sobre extremos climáticos para a América do Sul.

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Na corrida contra as incertezas do clima e seus impactos sobre a agricultura, florestas e rios, enfim, sobre a própria vida, nenhum país poderá adiar a implantação de sistemas tecnológicos que produzam respostas confiáveis. O governo brasileiro está de parabéns.