As palavras que dão título ao texto são distintas em sua etimologia, porém muito próximas quanto ao significado, quando assim se quer. O cenário político ilustra bem a tênue ligação que entre elas pode existir.
Há muito tempo os representantes políticos do País conjugam o verbo ?ter? associado aos vocábulos em questão de diversas maneiras, de acordo com seus interesses. ?Ter? sede de poder e exercê-lo com ganância é uma equação corriqueira para tais figuras.
A ganância por dinheiro, ainda mais grave, deixa eleitores vulneráveis a políticos profissionais de plantão que, sabedores disso, distribuem verbas, na maioria das vezes oriunda dos famigerados ?caixas dois?, ?valeriodutos? ou ainda da própria máquina administrativa. Compram-se nos currais eleitorais votos de cidadãos deslumbrados com a fartura e onipotência com que se instalam os comitês, sempre decorados com grandes fotografias, tal como o ego de seus mentores.
Tal equação, infelizmente, não é prerrogativa exclusiva do profissional da política. Empresários inescrupulosos também manipulam a sede e a ganância de acordo com os resultados esperados no final da composição vocabular. A ganância por lucros pode vir disfarçada em uma pretensa sede de querer fazer algo de bom, manipulando serviços e produtos para consumidores desavisados.
A sede por lucros fartos e fáceis gera a ganância que atropela a ética, a moral e outros atributos cada vez mais raros na personalidade de diversos empresários. Passar para trás os outros parece ser uma tônica recorrente. A sede de vitória faz esse tipo de transformação e provoca, muitas vezes, disputas cujos resultados se demonstram catastróficos ao final. Tome-se como exemplo o desempenho brasileiro na última Copa do Mundo. A sede incontrolável por aferir dividendos com um resultado favorável que foi antecipado e apregoado aos quatro cantos do mundo deixou a cautela em segundo plano, obscurecida pela ganância daqueles que se acham campeões do mundo. E outros exemplos não faltam.
A sede de algo – sabedoria, justiça, sucesso – pode ser algo saudável, desde que seja balizada na cautela, sem deixar que a ganância predomine. É justamente com essa sede que os eleitores brasileiros devem ir às urnas no próximo 1.º de outubro, movidos por senso crítico apurado, com sede em construir, finalmente, um Brasil digno. E sem ?fugir? com votos brancos ou nulos, sem deixar que os políticos e suas promessas vazias nos façam estúpidos, aquém de nossa capacidade de discernir as frutas podres das boas nesse imenso cesto da política.
Tal qual a água que, se não bem administrada em seu uso, logo nos faltará, essa situação de aproveitamento, de oportunismo político tem de acabar, sob o risco de levar o País à seca da moralidade e da integridade – principais pilares de uma sociedade. Vivemos um momento crítico da humanidade. Agora, mais do que nunca, precisamos de parlamentares e governantes com sede de justiça, sem ganância. Pense nisso antes de teclar a urna nas eleições.
Daniel Augusto Maddalena é consultor especializado em cooperativismo.