A corrida eleitoral dos Estados Unidos já tem seus protagonistas definidos. De um lado, Barack Obama e Joe Biden; de outro, John McCain e Sarah Palin. Dos quatro, todos “novatos” em eleições presidenciais, a mais surpreendente presença é de Palin, justamente a última a ser indicada – no caso dela, como candidata à vice-presidência pelo Partido Republicano. Foi a cartada de McCain para agitar a campanha. Como se precisasse…

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Em um pleito em que todos os candidatos precisam ser apresentados ao mundo, Sarah Palin é a mais desconhecida – até porque é a única que não milita na política congressual em Washington. Ela é governadora do Alasca.

E aqui vale uma explicação: em uma política federativa de verdade, os governadores dos estados têm mais autonomia que no Brasil, mas aparecem muito menos que aqui; só são “estrelas” os já famosos, como Arnold Schwarzenegger, ou os parentes de políticos, como Jeb Bush. Bill Clinton, quando se candidatou em 1992, era o desconhecido governador do Arkansas.

Está explicado o fato de não conhecermos (e os norte-americanos conhecem pouco) Sarah Palin. Até por isso, a jogada de John McCain e dos caciques republicanos, que escolheram-na no fim da semana passada. A intenção inicial é aproveitar o vácuo da exclusão da democrata Hillary Clinton e colocar uma mulher na campanha, e em posição preponderante.

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Mas o tiro pode sair pela culatra. Sarah não é Hillary. A governadora Palin não é participante decisiva da política norte-americana como a ex-primeira-dama e hoje senadora pelo Estado de Nova York. Na teoria, tal presença da senhora Clinton poderia até atrapalhar, mas a força que ela tem galvaniza as opiniões contrárias e reforça quem a apóia.

Além disso, Palin é diametralmente oposta a Hillary. Se a senadora, apesar do seu posicionamento de centro, é uma política ousada, a governadora do Alasca é conservadora ao extremo, contrária ao aborto e integrante da pitoresca – mas muito influente – Associação Nacional do Rifle, a principal lobista das armas nos Estados Unidos. Sarah não é Hillary. E em novembro saberemos se isto ajudará ou não John McCain.

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