Santo Ant

Oito anos depois de ter sido pensada pela primeira vez, finalmente teve início a construção da primeira unidade do complexo da usina hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, em território pertencente ao estado de Rondônia, na região Norte do País. A obra está orçada em R$ 12 bilhões e é de responsabilidade técnica do consórcio Madeira Energia S.A. (Mesa), que tem prazo até novembro de 2014 para por em funcionamento a última das 44 turbinas programadas para gerar 2.218 MW de energia firme.

A referida obra consta do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no setor de produção de energia elétrica de origem hidráulica, constituindo um feito auspicioso do governo Luiz Inácio Lula da Silva, tendo em vista que as obras tiveram o início embargado por uma série de disputas judiciais, ainda não totalmente dirimidas. O plano do governo para aproveitar o potencial hidráulico do Madeira inclui também a construção da usina hidrelétrica de Jirau, sendo que o equacionamento de ambas representou para o governo um argumento vital na luta para evitar sérios problemas no abastecimento de energia elétrica, no início da próxima década.

Como se percebe, os freqüentes retardamentos verificados ao longo do conturbado processo de licitação pública podem acabar arrastando o término da obra de Santo Antônio para 2014, quase no meio da década e, bem a propósito, no último ano do mandato do sucessor de Lula na presidência da República. Todavia, os dirigentes do consórcio construtor admitem uma antecipação do início da geração de energia para 2012, afirmando que têm confiança  na plena realização da ambiciosa meta. Com a finalidade precípua de transportar a energia produzida por Santo Antônio para as regiões de consumo, será necessária a construção de uma linha de transmissão com 2,5 mil quilômetros de extensão para ligar a usina ao mercado consumidor do estado de São Paulo. Os responsáveis pela implantação da linha de transmissão ainda não foram selecionados pelo governo e, esse é um motivo adicional de preocupação para o consórcio Madeira Energia, pois de nada adianta concluir a usina no prazo estipulado se não houver condições de fazer a energia gerada chegar aos locais de consumo.

Quanto à usina de Jirau, cuja construção também estava prevista para iniciar esse ano, há ainda alguns problemas de natureza física sendo analisados conjuntamente pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), ditados pela opção de engenharia quanto ao deslocamento de alguns quilômetros do ponto do rio onde a barragem será erguida.

O consórcio Madeira Energia é integrado pela construtora Odebrecht, Furnas Centrais Elétricas e parceiros minoritários, que concordaram com o repasse de 70% da energia produzida pelas turbinas de Santo Antônio para o chamado mercado cativo formado por distribuidoras, a partir de dezembro de 2012. O preço acordado é de R$ 78,87 por megawatt/hora (MWh), valor considerado razoável pelo mercado consumidor. Segundo especialistas do setor, foi essa atitude ousada que determinou a vitória do referido grupo no leilão de concessão do empreendimento. Toda a produção obtida antes desse prazo contratual, entretanto, poderá ser negociada livremente com grandes consumidores. O cálculo é que cada unidade posta em operação antecipadamente renda ao grupo construtor cerca de R$ 6,7 bilhões mensais.

Para a feitura da obra, os sócios entrarão com R$ 3 bilhões do total previsto para o investimento (R$ 12 bilhões). O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) arcará com a maior parcela dos 75% restantes, estando também em pauta a captação de recursos mediante operações de financiamento no mercado. O diretor-presidente da Madeira Energia, Roberto Simões, mesmo sem fornecer detalhes da participação do BNDES, disse que até o fim do mês o acordo estará pronto para a aprovação da diretoria do banco, devendo os desembolsos ocorrer a partir de fevereiro de 2009.

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