A bela jornalista Christiane Pelajo anuncia: “Está faltando merenda escolar em um dos estados mais prósperos da Federação”. Ocupando lugar de destaque na edição de quarta-feira do Jornal da Globo, uma matéria contava que está faltando comida para pelo menos duas mil escolas em todo o Paraná. Mostrava cozinheiras lidando com as poucas provisões que tinham (restos do ano passado) – geralmente fubá, feijão e arroz. Quanto até isso faltava, fazia-se vitamina para as crianças. Para reforçar que o problema é em todo o Estado, mostraram imagens de despensas de escolas em Foz do Iguaçu, Guarapuava e Almirante Tamandaré.
O motivo da situação também era explicado – a licitação para a compra de alimentos estava emperrada por conta de uma reclamação dos fornecedores, que não aceitaram o preço máximo colocado em edital. Com isso, a compra atrasou, os produtos ainda precisavam ser catalogados e inspecionados, e as escolas ficaram na mão. E as crianças, que têm na merenda a principal refeição do dia, pagaram o pato.
Em última análise, o problema estava na decisão dos fornecedores em questionarem o preço máximo dos produtos no edital. Mas, na visão simplista da sociedade (às vezes a mais correta, ou a mais difundida), fica a culpa para o governo estadual. Que, a rigor, tem sua parcela – grande – de responsabilidade, mesmo que seja feito um repasse emergencial, como aconteceu. Afinal, a compra da merenda, se precisa de avaliação e de escolha de menor preço, também precisa de desburocratização. Não é possível que um protocolo que envolve a alimentação de centenas de milhares de crianças seja lento.
Aí passamos o recibo da desorganização para o resto do País. Ficamos como o Estado que não conseguiu resolver problemas internos para servir a comida dos estudantes de suas escolas públicas. Certamente não é isso, mas a imagem fica manchada, e para recuperá-la não é fácil. Por conta de medidas desastradas, erros de cálculo e excesso de burocracia, estamos passando como vítimas de um Executivo incapaz.