O Atlético poderia ter se classificado para as quartas-de-final da Copa do Brasil. Fez a vantagem no jogo de ida, semana passada, em Curitiba, e perdeu-a em poucos minutos, com dois gols marcados pelo Corinthians. Na partida de quarta-feira, em São Paulo, o Furacão, campeão do Paraná, teve oportunidades para marcar e criar embaraços para os donos da casa, mas não converteu. Assim, foi o campeão paulista quem venceu (por 2×0) e seguiu na competição – agora, o único representante do Estado é o Coritiba.
Mas na quarta, como na maioria dos jogos do Corinthians neste ano, o destaque foi Ronaldo. O centroavante, ainda fora de forma, é um tormento para os defensores e um alento para os olhos cansados de tanta truculência no futebol. O gol marcado contra o Atlético, apesar da dor que causou aos paranaenses, é uma obra de arte minimalista.
Em sua pretensa simplicidade, Ronaldo consegue, em uma fração de tempo, demonstrar como se dominar uma bola, como se projetar à frente, como especular no lance e como concluir à perfeição. O momento sublime é a ameaça de arremate, que engana o zagueiro Gustavo e permite que se abra um espaço definitivo. O chute não é forte, é colocado. E como é difícil lembrar de um gol de Ronaldo de arremate com força.
Apesar de seu corpanzil, Ronaldo é um artilheiro refinado. Quando jovem, abusava do esplendor físico em arrancadas e dribles, mas sempre concluía com categoria. Agora, mais velho e pesado, não se movimenta muito, mas quando a bola chega a seus pés, é capaz de mágicas há muito não vistas no Brasil – é necessário voltar à década de 1980 e recordar das proezas de Zico. O gol marcado contra o Santos, exaustivamente repetido, é outro exemplo de beleza promovido por quem concordamos em chamar de “Fenômeno”.
Teremos, pelo que se fala, mais um ano de Ronaldo no Corinthians. Ele seria a grande atração do centenário do time paulista – e o jogador pretende continuar na mídia até a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Compenetrado no esporte, sua grande especialidade, ele poderá manter o brilho que estava se apagando dos campos de futebol do País.