O Estado se surpreendeu com a informação da apreensão de uma carga monstruosa de cocaína no porto de Paranaguá – na quinta-feira, foram “descobertas” quase quatro toneladas da droga (valor: um bilhão de reais) em um container, e a Polícia Federal e a Interpol interceptaram a carga antes que ela fosse remetida ao seu destino, a Romênia. Pois é, a cocaína iria para a Romênia. O longínquo país na Europa Oriental, que para muitos é conhecido apenas por ter em
seu território a região da Transilvânia, terra do conde Drácula.
Até onde se sabe, não há nenhuma relação conhecida entre o Paraná e a Romênia -com Paranaguá, muito menos. Mas, por alguma razão que ainda não é sabida, os traficantes escolheram o porto paranaense como entreposto de drogas. Desta vez, no entanto, a “encomenda” não seguiu seu destino. E, convenhamos, a Romênia deve ser apenas o destino intermediário da cocaína, que deveria ser derramada por toda a Europa.
A apreensão da quinta-feira mostra que os limites de quem comercializa drogas está distante de ser conhecido. Por mais fértil que seja a nossa imaginação, não era possível conceber que a cocaína (duas toneladas!) entraria facilmente dentro de um porto, seria colocada em um container, passaria incólume por vistorias e seria embarcada para além-mar, saindo e cruzando oceanos até chegar em um distante rincão do Velho Mundo.
Mas é assim. O poder paralelo do narcoráfico está cada vez mais forte, apesar da determinação dos países em deter o avanço de tais marginais. Cidades como o Rio de Janeiro estão sitiadas, reféns de líderes de comando que também são grandes comerciantes de drogas. E quando grandes metrópoles não conseguem vencer esta batalha, o País acaba entrando de cabeça na roda-vida da bandidagem.
É assim por todo canto, e agora tivemos uma prova clara e próxima de que o tráfico está adquirindo poder incontestável. Caberá às autoridades o rápido esclarecimento desta história inacreditável, e cabe à sociedade torcer para que o porto de Paranaguá não vire entreposto para uso de traficantes.