Riscos para Londrina

“O Hospital Universitário (HU) de Londrina começou a semana, mais uma vez, com superlotação. Apesar de ter fechado o dia de ontem com 49 pacientes no pronto-socorro (PS), na noite da última segunda-feira o hospital chegou a ter 72 pacientes para as 26 vagas existentes. A situação ainda está complicada, na avaliação do diretor-superintendente do HU, Francisco Eugênio Alves de Souza.”

O início da matéria da repórter Luciana Cristo, na edição de quarta-feira de O Estado, tem uma locução preocupante – “mais uma vez”. Sim, porque o cenário de penúria do HU de Londrina está se repetindo indefinidamente, com consequências terríveis para quem precisa de amparo.

São duas situações que se misturam. A primeira é fruto da excelência do Hospital Universitário. Por ser reconhecido como a principal casa de saúde do interior do Estado, muitas pessoas, de várias regiões, vão a Londrina buscar auxílio. Com isso, é natural que haja maior demanda na casa de saúde. A segunda é um retrato do setor – os principais hospitais públicos do País estão sucateados, pelo excesso de procura e pela falta de investimentos.

Na teoria, seria fácil resolver os dois problemas. É só investir o necessário para aparelhar os postos de saúde das cidades menores que muitas das pessoas que vão ao HU não precisariam ir para Londrina. Claro que, se forem feitas mais reformas no Hospital Universitário (como a inauguração de mais leitos no pronto-socorro, prevista para abril), a vida dos médicos e dos pacientes será facilitada. Isto porque, segundo a direção da casa de saúde, seriam necessários mais cem leitos -hoje são trezentos.

Enquanto isto não acontece (e corre-se o risco de demorar muito), a única solução é a transferência de pacientes para outros hospitais da região, seguindo o trâmite normal – ida ao posto de saúde, acionamento (caso necessário) do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e depois a ida para um hospital mais adequado. E, além de tudo, contar com a sorte de conseguir ser atendido no tempo esperado.

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