São Paulo está ainda se acostumando a um revolucionário complexo imobiliário. Foi inaugurado parcialmente o Parque Cidade Jardim, projeto de uma incorporadora que prevê a construção de prédios residenciais, edifícios comerciais, um hotel e um shopping (este já em pleno funcionamento). Parece normal, mas tudo isto está no mesmo lugar.
Não é um plano urbanístico para um bairro ou mesmo para uma cidade. É, sim, a evolução do “condomínio fechado”. Agora, além de morar, os mais ricos de São Paulo podem trabalhar, fazer compras e passear (ainda há uma imensa área verde com estrutura de parque) sem tirar o carro da garagem ou, melhor,
sem sair do terreno.
Quem tiver o dinheiro suficiente para comprar um dos apartamentos de altíssimo padrão não terá as preocupações tão comuns ao morador de São Paulo, que também são as dos moradores das grandes cidades brasileiras. Trânsito? A rigor, nem é preciso ter carro. Falta de segurança? Como todo condomínio, é fortemente vigiado, com a vantagem de o condomínio incluir o shopping e o trabalho. Poluição? Com tanto verde, o Parque Cidade Jardim pode ser considerado um “oásis” no cinza paulistano. Falta de tempo para tudo? Não é problema, pois
tudo está ao alcance da mão, é possível até tirar uma soneca depois do almoço.
A tendência de concentração de vários aparatos dentro de um condomínio ainda é uma novidade no Paraná. Em Curitiba, algumas incorporadoras trabalham com o conceito de “clube”, com salas temáticas, cinema, academia e espaço de gastronomia. Mas ainda não chegaram à ousadia do Parque Cidade Jardim, que multiplica as opções para empresas e pessoas físicas. E possivelmente demorarão a chegar, pois a tendência mundial de concentração está mais restrita às megalópoles – no Brasil, então, só São Paulo.
Mesmo assim, é interessante ver a agitação do mercado imobiliário até pelo fato de, agitando os paulistas, agita-se o País. A onda dos condomínios fechados, que parecia finda, está apenas começando. E fazendo com que se criem cidades em miniatura no meio da selva de concreto.