Revisão de cálculos

Aos poucos o governo federal vai preenchendo as lacunas do modelo de exploração das reservas de petróleo recuperável descobertas na camada do pré-sal. O presidente Luiz Inácio Lula Silva, contudo, está cobrando da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de seu colega de esplanada Edison Lobão, titular das Minas e Energia, maior agilidade na definição do conjunto das normas jurídicas, o chamado marco regulatório que deverá nortear as atividades na referida área.

Na verdade, mesmo que ainda não tenha sido transmitida oficialmente pelo governo, a decisão praticamente amadurecida de entregar a maioria dos blocos do pré-sal à Petrobras, incluindo áreas licitadas em que a participação da estatal for minoritária, é uma reação perfeitamente sintonizada com a salvaguarda da imensa potencialidade econômica representada pelos campos que logo começarão a ser explorados. Nos meios políticos e empresariais comenta-se que a principal preocupação do governo é dispor de medidas que atuem como uma espécie de moderador do apetite das companhias estrangeiras pelo petróleo brasileiro.

Enquanto a sociedade aguarda o anúncio do marco regulatório do pré-sal, ganha expressão um novo ângulo da ampla problemática, até certo ponto frustrante, na medida em que levanta algumas especulações sobre a chamada taxa de sucesso exploratório da área, que somente por muita liberalidade dos fados atingiria os limites mirabolantes alardeados com tanta competência pela máquina governamental. A Petrobras está convencida da necessidade de rever os cálculos anteriores. O informe havia sido veiculado pelo jornal Valor Econômico e, ato contínuo a estatal reconheceu que no relatório anual encaminhado à instituição que atua como reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos (US Securities and Exchange Commission) consta que a taxa de sucesso na exploração do pré-sal é de 87%. O percentual é relativo aos primeiros 30 poços perfurados em toda a área, extrapolando os dados coletados após as primeiras sondagens realizadas na Bacia de Santos.

O jornal lastreou sua informação no Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP) da Associação Nacional do Petróleo (ANP), segundo o qual “nove dos 28 poços perfurados foram classificados como secos ou como produtores subcomerciais de petróleo e gás natural”. Tanto a Petrobras quanto a ANP, em pronunciamentos oficiais, se referiram apenas ao poço Corcovado-1, relacionado dentre os nove antecipados como secos. Em comunicado lacônico, a ANP foi mais longe e desmentiu a veracidade das informações disponíveis em seu próprio banco de dados. Por sua vez a Petrobras foi bem mais cuidadosa ao lembrar que a taxa de sucesso poderia estar relacionada à “comprovação de presença de hidrocarbonetos, o que pode ser traduzido como um sucesso do ponto de vista geológico, mas que não significa, necessariamente, um sucesso comercial”.

Diante do imbróglio causado por registros claramente questionados pela ANP, a Petrobras reiterou que na Bacia de Santos, à exceção da Bacia de Campos, os resultados da perfuração de onze poços (Tupi, Iara, Iracema, Parati, Carioca, Iguaçu, Bem-Te-Vi, Caramba, Abaré, Guará e Júpiter) indicam que a taxa de sucesso é de 100%. A intenção imediata é desfazer a incerteza disseminada no mercado sobre as reais potencialidades do pré-sal. O governo e os setores mais importantes de concepção e execução das políticas públicas para o campo da energia devem se mobilizar para a prestação de todas as informações necessárias para assegurar a absoluta confiança do mercado de investimentos, afastando quaisquer respingos que alimentem a incerteza.

Enquanto geólogos especializados em prospecção petrolífera advertem que é natural estimar a queda dos índices de sucesso na perfuração de poços no pré-sal em até 30% (média da Bacia de Campos), o presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e das Indústrias de Base (Abdib), o empresário Paulo Godoy, declarou que “se tivermos no pré-sal um índice de acerto de 68%, isso é algo fenomenal”.

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