Mesmo que o nível da demanda não volte a mostrar a pujança de setembro do ano passado, quando os sinais da crise financeira se espalharam pelo mundo, os analistas de mercado prognosticam que haverá uma retomada concreta da produção industrial na segunda metade de 2009, ajudando o setor a regressar à situação observada antes do golpe desencadeado pela explosão da bolha imobiliária nos Estados Unidos. Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 12,4% das empresas ouvidas no decorrer do mês de junho admitiram estar com excesso de estoque, ao passo que a resposta contrária foi fornecida por apenas 5,9% do universo consultado. Em janeiro, respondendo ao mesmo tipo de investigação, 21,8% das companhias acusaram excesso de estoque, mas nenhuma relatou estar com o inventário de mercadorias abaixo da normalidade.
Com base nessa realidade otimista, os empresários estão apostando na expansão do ritmo da produção industrial no segundo semestre tendo em vista não só o ajuste dos estoques, mas também os benefícios oriundos da redução dos impostos e a acentuada substituição de produtos importados por similares nacionais. Para algumas consultorias especializadas na área, o crescimento da produção industrial é um dado real nas estimativas do encaminhamento do setor para um desfecho menos desalentador na atual temporada. A melhoria gradativa de acesso ao crédito e das exportações também são fatores levados em consideração pelos analistas para traçar um quadro de alívio com o redirecionamento do próprio mercado após a crise financeira.
Contudo, ainda não se pode afirmar com toda a segurança que o crescimento do ritmo da produção industrial volte à realidade vigente até setembro do ano passado. Para os especialistas, esses patamares somente deverão ser atingidos na segunda metade de 2010, mais especificamente nos últimos três meses. Enquanto isso tem seguimento o processo de desova de estoques nos setores da produção de bens de consumo duráveis, como é o caso da indústria automobilística, esperando-se o mesmo comportamento para os setores de insumos e matérias-primas. Na medida em que as empresas concretizam o ajuste dos estoques, elas ganham a condição de planificar o aumento da produção, confirmam os analistas.
A expectativa cada dia mais evidente de que esse processo ingressou numa fase aparentemente consolidada, reforça a tese do aumento gradativo da produção como consequência do escoamento natural da produção retida nos depósitos das respectivas indústrias. A prorrogação do corte de impostos na comercialização de veículos automotivos, produtos da linha branca e construção civil, deverá refletir de modo positivo sobre a indústria no segundo semestre, considerando que medidas dessa natureza acabam estimulando a antecipação das compras e, em grande medida contribuindo para convencer os consumidores que ainda não haviam tomado a decisão de, por exemplo, adquirir um carro ou um eletrodoméstico. O mesmo tipo de raciocínio é válido em relação à substituição de produtos importados por nacionais, mesmo considerando a sazonalidade da ocorrência que poderá sofrer alterações no último trimestre do ano, em face da provável valorização do câmbio e do fortalecimento da economia.
Por todos esses fatores, a melhoria gradual da indústria no segundo semestre projeta o fechamento do exercício com a queda de 8% da produção quando comparada ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, a queda será bastante volumosa, mas não tão bombástica quanto à redução de 13,9% registrada entre janeiro e maio do corrente, também em comparação com o mesmo período imediatamente anterior.
No terreno das exportações, os empresários do setor investiram na diversificação dos mercados a fim de reduzir as perdas nos negócios efetuados com compradores do exterior. Entre janeiro e junho o total das exportações brasileiras despencou 22,8% em comparação aos registros de 2008, mas está sendo aguardada uma boa recuperação até o final do exercício.