Poderíamos até lamentar o fato de não ter partido do próprio Estado, mas às vezes uma ressonância nacional surte mais efeito. E, desta vez, o reflexo da matéria exibida na segunda-feira pelo programa CQC, da TV Bandeirantes, foi devastadora. O governo do Paraná foi exposto de maneira exemplar – tudo por conta da frota de ônibus escolares parada no Palácio Iguaçu há tempos.
Alertada, a produção do programa resolveu colocar o assunto no quadro “Proteste Já”, protagonizado pelo humorista Rafinha Bastos. Com um senso de humor ácido e uma postura agressiva, ele protagonizou a desmoralização da política educacional do governo estadual. Foi à praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico de Curitiba, e mostrou os veículos, que estavam recebendo adesivos de ostensiva publicidade para o governador Roberto Requião.
Depois, foi a Barbosa Ferraz, no interior, para ver como as crianças iam para a escola. Quando iam, ficavam como sardinhas em uma lata em um ônibus superlotado. Às vezes, não tinha transporte escolar, e aí não tinha aula. “Fico triste”, resumiu um menino. Rafinha voltou a Curitiba e conversou com a secretária da Educação, Yvelise Arco Verde. Às argumentações, ele respondia com fatos, todos noticiados pela imprensa (e pela Agência Estadual de Notícias), que mostravam que os ônibus só eram entregues em eventos públicos, para marcar presença e ganhar dividendos políticos. O desfecho foi a entrega de um adesivo gigante, sugestão de Bastos para adornar os veículos: “Transporte escolar – a educação mais perto de nossos negócios políticos”.
O humor do CQC transtornou o governador. Mas as explicações dele e da secretária da Educação, apesar de serem compreensíveis, não explicam e nem justificam. A atribuição de um governo é prover benefícios para a população da maneira mais rápida possível. Demorar todo esse tempo para entregar os ônibus escolares, e fazer isso em troca de dividendos eleitorais, é brincar com a inteligência da sociedade. E, graças ao programa de TV, o Brasil inteiro agora sabe disso.